Insurreição versus Organização

De Protopia
Ir para: navegação, pesquisa
Peter Gelderloos


Reflexões da Grécia sobre uma cisma sem sentido

“Considero terrível que o nosso movimento, em todos os lugares, está se degenerando em um pântano de pequeno querelas pessoais, acusações e recriminações. Há muito dessa coisa podre por aí, sobretudo nos últimos dois anos."
– de uma carta de Alexander Berkman para Senya Fleshin e Steimer Mollie, em 1928. Emma Goldman acrescenta o pós-escrito: "Queridos filhos. Concordo inteiramente com Sasha. Estou doente de coração sobre o veneno de insinuações, acusações, denúncias em nossas fileiras. Se isso não vai parar não há esperança de um renascimento do nosso movimento."

Felizmente, a maioria dos anarquistas nos Estados Unidos evita qualquer ortodoxia ideológica e foge de divisões sectárias. Infelizmente, a maioria de nós também parece evitar estrategização séria. Aqueles que assumem isso tendem mais por uma ou outra ortodoxia, e lendo as páginas de um jornal anarquista do país, um estrangeiro teria a impressão de que o movimento aqui é de fato sectário. Na verdade há muitas controvérsias, e não há fendas tectônicas claras, mas uma separação que está crescendo fortemente é a mesma que corre por muito da Europa: o debate entre insurreição e organização. A primeira coincide com os anarquistas pós-esquerda, a segunda são muitas vezes anarco-comunistas. Aqui na Grécia, onde passei as últimas duas semanas, a divisão é muito forte entre anarquistas insurrecionários associados ao Black Bloc, e o pesadamente organizado Movimento Antiautoritário (AK, Alpha Kappa, em Grego).

Nesta e na maioria das outras controvérsias vejo os anarquistas se enfervecerem [1]; parece haver uma ligeira afinidade por certos valores ocidentais que estão no coração do Estado e do capitalismo: uma visão de mundo baseada em dicotomias, e uma estrutura lógica que é alarmantemente monoteísta. Por exemplo, quando existem duas estratégias diferentes para a revolução, muitos de nós não vêem isto como dois caminhos para grupos diferentes de pessoas andarem, tomarem seu próprio ao passo que também tentam entender o caminho do Outro, mas como evidência de que alguém deve estar Errado (e é quase com certeza o Outro).

Aqueles de nós que foram criados com privilégios brancos foram treinados para ser muito maus ouvintes, e é uma maldita pena que ainda não absorvemos a enfase no pluralismo ensinada pelos magonistas e anarquistas indígenas. Eu adoraria culpar nossas disputas atuais na internet, porque é claramente muito fácil ser um imbecil com alguém e sabotar qualquer conversa de diferenças, sadia e de duas vias, se já os distraístes para palavras em uma tela brilhante. Entretanto cismas são muito mais antigas que telecomunicações (apesar de que sem dúvida nossa confiança na internet torna mais propício que desacordos se tornem querelas contraprodutivas).

Acusem-me de ingênuo, mas penso que uma ampla parte do embate pode ser creditado a má comunicação e uma visão de mundo fundamentalmente monoteísta, mais do que a uma substância real das diferentes estratégias. Sem dúvida, a substância é importante. Existem, por exemplo, algumas críticas necessárias de como a Esquerda conduz rebeliões que foram postas em circulação por (hesito em usar rótulos fáceis, mas por uma questão de conveniência, chamarei-os:) anarquistas insurrecionários, mas mesmo se certas pessoas descobriram todas as respostas corretas, nada os impedirá de ir pelo caminho do primeiro movimento anarquista se todos nós não aprendermos melhores maneiras comunicar, e entender, nossas diferenças.

Na Grécia, a cisma entre os insurrecionistas e o Movimento Antiautoritário levou a um embate físico. Há pessoas de ambos os lados que fizeram coisas fodidas [2]. O Black Bloc lançou alguns molotovs na polícia no meio de uma mêlée[3], queimando alguns dos protestantes. Pessoas ao lado da AK intimidaram e bateram em anarquistas que suspeitavam ter roubado alguns computadores da universidade durante um evento organizado da AK, dando-os problemas. Em resposta, alguns insurrecionistas queimaram os escritórios do Movimento Antiautoritário em Tessalônica. Se generalizarmos, os esteriótipos rapidamente se adiantam para assegurar-nos que o outro lado é o inimigo: “aqueles insurrecionistas desorganizados estão até atirando molotovs em outros protestantes!” ou “aqueles organizacionalistas estão agindo como a polícia do movimento”. Em cada caso, podemos ver rapidamente uma imagem preconcebida do anarquista preguiçoso, insurrecionista caótico, ou o marxista praticamente autoritário, e o que estamos fazendo é abstrair as reais pessoas envolvidas.

Não quero sugerir que certos ou todos aqueles desses grupos não possuem sérias falhas que precisam ser trabalhadas. Nem mesmo acredito que ambos os lados são igualmente culpados. Na verdade eu mesmo tendo a me envolver em brigas bem feias com pessoas que preferem alguma forma resolução de conflito hippy e besta do tipo “Estou bem, você está bem, todo mundo está bem” que evita críticas em favor de uma paz aparente. Mas em Tessalônica e Atenas encontrei pessoas de ambos os lados, e muitos deles foram muito agradáveis, pessoas com as quais adoraria ter como vizinhos depois de esmagar o Estado juntos. Alguns deles depreciaram o outro grupo, alguns deles estavam realmente tentando fazer as pazes, e também sendo críticos a membros de seus próprios grupos que injustiçaram alguém do outro lado. Como um todo, no entanto, eles são uma minoria, e a divisão cresce. Pôsteres por uma apresentação que eu faria em Atenas foram rasgados porque o centro social que me hospedava era associado ao AK (apesar de que as pessoas que realmente organizavam o evento e me elencaram não eram membros, e tentaram ficar em cima do muro). A okupa em que fiquei em Tessalônica era ocupada por pessoas alinhadas com os insurrecionistas, e vários deles me disseram para não me misturar com as pessoas do AK em Atenas.

Eu poderia classificar esses problemas como peculiares à Grécia se já não tivesse visto divisões similares na Alemanha e Bulgária, ouvido invectivas do mesmo tipo de embate na França sobre a Feira do Livro Anarquista de Montreal, e li bastantes dessas discussões na impressa anarquista da Grã Bretanha e dos Estados Unidos. Já que os Estados Unidos é de onde vim e para onde retornarei, focarei na cisma como ela aparece lá. Devido a maioria dos anarquistas estadounidenses parecerem focar em suas atividades diárias, penso que muitos não tomaram lados nessa cisma, e não estão nem mesmo conscientes dela. Então para uma certa extensão isso existe como um desacordo teórico, sem ainda o improvável peso de personalidades estridentes atirar-se à briga (bem, algumas pessoas da revista Anarchy ou da NEFAC poderiam dizer de outro modo), consertando linhas de frente intransigentes pelo fato de que uma ideologia personificada é de tudo o mais inflexível. Portanto temos uma grande oportunidade, por agora, de lidar com o problema teoreticamente.

Como uma espécie de apêndice, incluí críticas dos quatro ensaios dos dois lados do debate, mas antes generalizarei o que vejo como as forças e fraquezas de cada um. Insurrecionistas fazem uma série de contribuições vitais, talvez a mais importante sendo que o tempo é agora, que a distinção entre construir alternativas e atacar o capitalismo é falsa. A crítica à burocracia esquerdista como uma força de recuperação, o Estado dentro do movimento que constantemente traz rebeliões de volta ao redil e preserva o capitalismo, é também correta, embora muitas vezes a palavra “organização” seja usada ao invés de burocracia, o que pode confundir as coisas porque muitas pessoas, mesmo um grupo de afinidade, são também um tipo de organização. Ou isso poderá levar a um certo fundamentalismo, já que algumas pessoas pretendem excomungar toda organização formal, mesmo que sejam entendidas pelos participantes como uma ferramenta temporária e não “uma grande coligação”.

Os insurrecionistas também nutrem uma série de fraquezas. Sua frequente crítica ao “ativismo” tende a ser superficial e vaga, refletindo mais uma habilidade de chegar a um acordo sobre suas falhas pessoais (ou falhas observadas) em outros modos de ação, do que qualquer entendimento teórico aprimorado, praticamente garantindo que os erros encontrados no ativismo sejam replicados ou simplesmente invertidos em qualquer coisa que façam enquanto insurrecionistas. (Esse ponto será desenvolvido mais no apêndice). Há também uma certa falta de clareza nas sugestões insurrecionistas para ação. Os insurrecionistas tendem a fazer um bom trabalho levantando pontos sobre aprendizagem com pessoas que não são anarquistas, rascunhando sobre lutas recentes no México, Argentina, Argélia, e assim por diante. Entretanto isso também permite-os a obscurecer a diferença entre o que insurrecionário e o que é insurrecionista. Muitos deles, a maioria, renega a ideologia; ao minar exemplos históricos de insurreições para extrair e purificar uma teoria comum e prescrição para a ação, eles ganham aquele “ista” e distinguem o que é insurrecionário do que é insurrecionista. Eles aprenderam perceptivamente que o que é insurrecionário em uma luta social é frequentemente o elemento mais efetivo, mais honesto, e anárquico da luta; mas ao ver através de uma lente insurrecionista eles descreditam ou ignoram todos os outros elementos da luta a qual o insurrecionário está amarrado, mesmo, em muitos casos, em que ela é embasada. Nesse exemplo o “ista” carrega consigo uma insistência monoteísta em que quaisquer elementos reduzíveis a outro “ismo” deve estar incorreto. Logo somos instruídos a abrir nossos olhos quando o povo em Oaxaca queima ônibus e defende espaços autônomos, mas a fechar os olhos quando greves levadas por sindicados de professores surgem em uma grande parte para a insurreição, e quando os rebeldes escolhem organizar a si mesmos formalmente ou sobre o solo [4] para certos propósitos.

Insurrecionistas apelam por ação dentro ou fora dos movimentos sociais, algo com que eu concordo. As pessoas devem lutar por elas mesmas, por suas próprias razões e vidas, mesmo se tiverem que lutar sozinhas. Isso é, afinal de contas, como muitos movimentos sociais existiram no começo, antes de serem reconhecidos como movimentos sociais. Para contradizer uma crítica, vejo por parte de alguns anarquistas mais inclinados ao organizacionalismo que, de nenhuma forma são vanguardistas a tomar as ações em primeiro ou mesmo a tentar intensificá-las, porque lutar por suas próprias razões ou tentar inspirar outras pessoas à ação pelo exemplo é exatamente o oposto do vanguardismo. Na verdade um sinal comum de vanguardista é um que objeta outras pessoas correndo à frente do rebanho (e consequentemente à frente da vanguarda do rebanho). Entretanto essa postura insurrecionista é algumas vezes inerentemente autoritária, inerentemente burocrática, inerentemente reestabelecedora (na Green Anarchy[5] cheguei a ler um apelo bastante bobo ao “momentum” ao invés de a movimentos, embora se o autor desse fragmento estivesse fazendo qualquer coisa que não redefinindo “movimento” como “o tipo ruim de movimento” e definindo qualquer outra coisa como “momentum” não estava muito claro, devido àquela preferência, elegante entre muitos escritores [anti]políticos, por palavras ao invés de significados). Mas não deveríamos subestimar a importância de movimentos sociais. Recentemente tive a oportunidade de passar cinco meses entre anarquistas no primeiro bloco soviético, primariamente na Ucrânia, Romênia, e Bulgária. Por unanimidade, os anarquistas que encontrei me disseram que as ditaduras socialistas destruíram e subsequentemente impediram quaisquer movimentos sociais, e deixaram um legado de pessoas que odeiam e desconfiam do governo (muitas das quais estão também insatisfeitas com o capitalismo) mas que também não possuem tradição ou inclinação alguma em confiar em e participar de movimentos sociais, ou mesmo em cooperar com seus vizinhos. A situação anarquista lá está bem mais sombria que nos Estados Unidos: os anarquistas estão sozinhos, isolados, sem qualquer ponto de partida claro para ação, muito menos para insurreição. Um anarquista romeno disse que organizar-se em seu país de origem é como ir para um país estrangeiro onde tu não falas a língua e tenta construir a anarquia. (Na Polônia e República Tcheca, os movimentos anarquistas são muito mais fortes, e esses são também os países que desenvolveram movimentos sociais dissidentes nos anos 80. A propósito, a ditadura na Romênia foi derrubada não por um movimento mas por uma insurreição que foi largamente organizada[6] – também isso pode ser recuperado). Em vista disso, parece uma evidente deficiência que os insurrecionistas tendam a evitar ações ou análises focadas em construir um movimento social (se por movimento nós queremos dizer apenas uma grande rede ou população informal, que pode incluir organizações formais, e que constitui a si mesma como uma força social em resposta a problemas percebidos, inicialmente agindo fora do escopo de anteriores formas de atividades sociais rotineiras e institucionalizadas).

As sugestões dos insurrecionistas sobre ações tendem e girar em torno da criação de espaços autônomos que nos apoiam, nos permitem praticar uma vida comunal e anarquista agora, e serve como base para travar uma guerra contra o Estado. Isso é bom como qualquer outra estratégia anarquista singular, na verdade é melhor negócio até comparado a outros tanto, mas também, como as outras estratégias em circulação, já foi derrotada pelo Estado. Insurrecionistas nos Estados Unidos nem mesmo precisam usar a típica desculpa americana da amnésia; nesse caso, o isolacionismo é a culpa. Os maiores movimentos anarquistas de okupação[7] que prosperaram pela Europa Ocidental nos anos 70 e 80 (e sombrar do que ainda sobrevive), incluindo os autonomistas alemães, já tentaram – de forma muito séria – a mesma estratégia que os insurrecionistas estadounidenses estão agora circulando sem quaisquer diferenças sérias o bastante para ser considerado uma revisão ou lição das falhas do passado. E eles possivelmente, se alcançarem metade do momentum que os europeus tiveram, o que sob as presentes circunstâncias é improvável, terminarão exatamente do mesmo modo: um isolado terreno baldio para viciados em drogas, de uma subcultura congelada e marginalizada[8] em um gesto de provocação auto-parodístico (sim, isto é uma visão pessimista, e que desconsidera as várias belas okupações e centros sociais que ainda estão aguentando, mas penso que os insurrecionistas concordam que não há sentido em ver o lado bom de um movimento que veio a acomodar o capitalismo). É algo mais ou menos assim: o Estado e a indústria cultural isola-os (operando quase como artistas marciais taoistas, empurrando-os na direção que estão indo, só que mais do que pretendiam), pelos muitos descrições inundadas em drogas viciantes[9], que vem a preencher uma nova necessidade à medida que o estresse do Estado de sítio prolongado provocado por frequentes ataques policiais acumula-se; nem todos podem viver sob essas condições, especialmente pessoas idosas e aqueles com crianças, que abandonam ou se voltam para formas mais escapistas e menos combativas. Os militantes se mantém dentro de seu círculo de barricadas por tanto tempo que in-crowd aesthetics and mentalities entrench, no final das contas, estão por agora em guerra com o resto do mundo. Eventualmente os rebeldes perdem qualquer conexão com o mundo lá for a, e qualquer possibilidade de propagar a luta. Assim enfraquecidos e carentes de solidariedade externa, metade das okupações são removidas, uma de cada vez, e os outros se exaustam e desistem do combate.

Devido a sua proximidade a essa história, um grupo particular de anarquistas franceses não poderia apenas ignorar a fraqueza da estratégia. Esse grupo, os autores de Appel (Chamada), o mais inteligente e perspicaz folheto insurrecionista (se posso dá-lo um rótulo que não reivindicou para si) com que já me deparei, acertou em cheio[10] quando, aprimorando uma forma mais desenvolvida e vigorosa dessa estratégia, apontaram que o movimento okupa morreu porque parou de estrategizar (e assim parou de crescer e mudar, estagnado). Entretanto, mais do que acerto[11] é necessário para manter e estratégia conjuntamente. A estagnação era verossímil de surgir no movimento okupa devido a sua própria estrutura, e a estrutura consequente da repressão estatal. A queda da estrategização foi provavelmente resultado da estratégia mesma.

E os organizacionalistas? Primeiro devo observar que este é um grupo um pouco amorfo, e poucas pessoas realmente se identificam como organizacionalistas. Uma boa parte deles são velhos ou anarquistas clássicos – anarco-comunistas cuja estratégia repousa em parte na criação de uma forte federação de anarquistas, ou sindicalistas edificando sindicatos de trabalhadores anarquistas, ou de outro modo inserindo-se no movimento dos trabalhadores. Alguns nesse campo são anarquistas sociais que preferem um envolvimento com a sociedade comum[12] para promover qualquer coisa que se assemelhe a uma guerra (de classe ou insurrecionária). Mais do alguns são ativistas anarquistas trabalhando sobre o solo[4] com alguma organização em torno de um tema particular, talvez sem uma clara estratégia para longo prazo, que foram varridos junto a outros por crítica insurrecionista. Eu focarei nos anarquistas clássicos, porque eles tem estratégias mais claramente articuladas (isso absolutamente não é para criticar os outros, afinal das contas, nenhuma estratégia pode ser melhor do que alguma simplista e dogmática). Esperançosamente as críticas que faço aqui serão informativas a todos os anarquistas que consideram o uso de organizações formais.

Por um lado, a ênfase desses anarquistas na construção de movimentos sociais e em ser acessível a estranhos é bem colocada. Claramente o maior problema dos anarquistas estadounidenses é o isolamento, e se organizar em grupos sobre o solo[4] em torno de problemas que são visíveis a populações amplas pode ajudar a superar esse isolamento. É de extrema ajuda quando há tipos de ações anarquistas simples em que pessoas podem se envolver, e que não requerem uma imersão vertical da vida comum para uma guerra descompromissada contra o sistema (para sair pela tangente, insurrecionistas muitas vezes louvam a replicabilidade de certas ações, mas pergunto-me quantos começaram com um ativismo orientadamente anarquista e quantos eram insurrecionistas do início. Em outras palavras, quão replicável é o anarquismo insurrecionista para a maioria das pessoas?) A comunicação e coordenação que, digamos, uma federação pode fornecer pode ser útil em certas instâncias. Na Europa muitos dos prisioneiros apoiam organizações que anarquistas de todos os tipos confiam são organizadas como federações. Organizações podem também construir e intensificar a luta. Por exemplo, as ações de um sindicato anarquista pode tornar o anarquismo mais acessível para mais pessoas, ao fornecer um modo imediatamente apreensível de envolver-se, um fórum para a propagação de ideias, e uma demonstração da sinceridade e praticabilidade das melhorias anarquistas ganhas a curto prazo. Eu apostaria também que pessoas que ganharam alguma prática em um sindicato, e aprenderam sobre greves em primeira mão, por exemplo, são mais suscetíveis a iniciar uma greve wildcat do que pessoas que nunca fizeram parte de um sindicato.

Uma abordagem que repousa pesadamente em organizações formais também tem um número de fraquezas. Já que essas fraquezas apareceram e reapareceram em termos incertos por mais de um século, é uma vergonha ter de reiterá-las, mas infelizmente parece ser o necessário. Organizações democrática com qualquer forma de representação podem ser rapidamente tornadas burocráticas e autoritárias. Organizações diretamente democráticas ainda correm o risco de serem dominadas por animais políticos (como apontou Bob Black em mais detalhe em Anarchy After Leftism). E há algo problemático no primeiro exemplo quando uma sociedade separa a economia da política e cria um espaço limitado para a tomada de decisões em que essas decisões tem mais autoridade que aquelas decisões e comunicados promulgados em outro lugar na vida social. Organizações devem ser temporárias, atadas à necessidade que objetivaram abordar, e devem ser justapostas e pluralistas. De outro modo, desenvolvem interesses de sua própria sobrevivência e crescimento que podem facilmente conflitar com as necessidades das pessoas. Esse interesse em si de organizações foi usado de tempos em tempos para controlar e restabelecer movimentos sociais radicais. Há muito tempo deveria se tornar óbvio que usar organizações formais é arriscado, algo feito melhor com cuidado. Ainda alguns anarquistas organizacionais persistem em até mesmo acreditar que todos os anarquistas deveriam juntar-se a uma única organização. Nunca vi um argumento para como isso poderia ser eficaz, e a questão é irrelevante já que não é possível e nem seria libertador. A associação voluntário é um princípio sem sentido se esperas que todos se juntem a uma organização em particular, mesmo que seja perfeita. Porém ainda ouço um número de anarco-comunistas usarem a chocante frase, “eles não são realmente anarquistas”, sobre o embasamento de que esses não-anarquistas não querem trabalhar com eles. O interesse de trabalhar conjuntamente em uma organização eficaz, especialmente se ela é singular (como em, O Único Grupo Anarquista Que Terás de Juntar-te!), encoraja a conformidade de ideias entre os membros, o que pode levá-los a desperdiçar uma grande quantidade de tempo surgindo com a Frase Correta e pode torná-lo um pé no saco para outras pessoas para trabalharem com eles. (O panfleto de 1995 “O Escopo da Organização Revolucionária”, pela Federação Anarco-comunista, deixa claro que eles vêem a si mesmos como uma única de muitas organizações trabalhando no movimento, e eles renunciam a meta de qualquer tipo de hegemonia organizacional; talvez o problema seja a falta de um reconhecimento profundo de que essas muitas organizações podem abordar, se relacionar, ou conceber o movimento de maneiras inteiramente diferentes).

Esperançosamente agora está claro como essas duas tendências podem cooperar para um efeito maior. Primeiro de tudo, abandonando aquela terrível pretensão de que apenas porque o Outro discorda com o nosso ponto de vista, ele não possui nada de válido a oferecer. Decorre deste que reconhecemos que pessoas diferentes preferirão ser ativas de diferentes maneiras, e de fato diferentes temperamentos atraem pessoas para diferentes tendências anarquistas antes da teoria chegar a eles.

Algumas pessoas nunca irão querer comparecer a suas reuniões entediantes ou se organizarem em seus locais de trabalho (eles nem quererão ter um local de trabalho). Algumas pessoas nunca quererão pisar em tua okupação nojenta ou viver com medo de que o Estado tome suas crianças por causa do estilo de vida de seus pais (ou nem mesmo quererão sujeitar as crianças ao estresse de uma vida de constante estado de guerra). E advinha? Isso é bom e natural. Se. Se podemos cobrir as costas um dos outros. Organizadores sobre o solo[4] que levantam apoio para os insurrecionistas, que se postam ao lado daqueles terroristas mascarados ao invés de denunciá-los, criarão um movimento mais forte. Insurrecionistas que executam as ondas de sabotagem aos organizadores são muito/também[13] expostos a serem chamados, que mantém em contanto com o mundo lá for a e também com os organizadores honestos e conscientes do quadro mais amplo, do horizonte de possibilidades, criarão um movimento mais forte.

Organizacionalistas que excluem os insurrecionistas ajudam a isolar a si mesmos. Insurrecionistas que vêem os organizadores como o inimigo ajudam a restabelecer a luta. Essas são profecias auto-realizáveis. Os insurrecionistas podem ser ajudados pela construção do movimento e recursos sociais dos organizacionalistas, que em retorno podem ser ajudados pela perspectiva mais radical e algumas vezes pelas táticas mais fortes, os sonhos postos em prática, dos insurrecionistas.

Devido ao movimento anarquista estadounidense muitas vezes olhar para a Grécia em busca de inspiração, especialmente dos insurrecionistas, penso ser interessante que a experiência grega parece mostrar que as duas abordagens sejam complementares, mesmo se as organizações envolvidas são amargos inimigos. Nos Estados Unidos nós geralmente ouvimos sobre os gregos quando eles atacam uma delegacia de polícia ou queimam câmeras de segurança; basicamente toda semana. Mas não ouvimos sobre a fundação que torna isso possível. Para começar a Grécia desfruta de uma cultura mais anárquica. Os laços familiares são mais fortes que as lealdades estatais (os anarquistas gregos chocaram-se ao descobrir que uma série de prisioneiros nos Estados Unidos foi entregue por parentes), existe uma desconfiança generalizada na autoridade, e muitas pessoas ainda lembram da ditadura militar e compreender a necessidade potencial em combater a polícia. A cultura estadounidense não é tão favorável a esses esforços, então precisamos descobrir como influenciar uma cultura mais extensa para que possamos ser mais férteis para a anarquia.

O Estado vem fazendo o oposto por séculos. Não poderia dizer como muitos dos anarquistas na Grécia influenciaram a cultura circundante e como eles apenas tomaram vantagem dessa, mas houveram muitas tentativas claramente conscientes de influenciar a situação social. Uma grande parte do ativismo se direciona na oposição ao regime de imigração da União Europeia, trabalhando e apoiando os imigrantes, e os centros sociais de okupação desempenham um papel nisso. Tal trabalho também ajuda a tornar o movimento anarquista mais diverso. A organização trabalhista desempenha um papel na Grécia, embora tenha aprendido muito menos sobre isso enquanto lá estava. Em Atenas a fundação que mantém vivo muito do movimento anarquista local é um bairro – Exarchia. Esse inteiro quarteirão, localizado no centro da capital, tem a sensação de uma zona semi-autônoma. Tu podes pichar as paredes em clara luz do dia com baixo risco (o poster lambe-lambe é ainda mais seguro), vês mais propaganda anarquista que publicidade comercial, e raramente se depara com policiais. Na verdade é provável encontrares esquadrões da polícia de choque nervosos (nervosos porque não é incomum para eles serem atacados). Os espaços autônomos, a destruição de câmeras de vigilância, os ataques molotov sobre policiais são todos característicos de uma abordagem insurrecionária. Mas também importante para a composição rebelde de Exarcheia são as classes de linguagem para imigrantes organizados pelos centros sociais, as relações amigáveis com vizinhos (algo que os tipos do Black Bloc nem sempre primam em cultivar) e mesmo, curiosamente, alguns negócios de propriedade de anarquistas. Nos Estados Unidos, a frase “negócio anarquista” seria zomabada com desdém, embora se evitasse aplicá-la a livrarias anarquistas, que são reconhecidas como legítimas. Mas em Exarcheia (e esse foi também o caso em Berlin e Hamburgo) o movimento anarquista foi reforçado por uma série de estabelecimentos de propriedade de anarquistas, bares particularmente. Penso que a racionalidade é bastante sólida. Se algumas anarquistas precisam de um emprego nos entrementes, e isto é certamente mais o caso nos Estados Unidos que na maior parte da Europa, pode ser melhor que seja dono de seu próprio bar que abre como levantamento de recursos para o movimento do que trabalhar no Starbucks. Igualmente, se os anarquistas se reunirão num bar sexta-feira à noite (e isso poderia se aplicar também a teatros e uma série de outras coisas), porque não ir a um que apoia um amigo, e apoia o movimento (como um espaço de eventos ou mesmo uma fonte de doações)? Pode também fornecer experiência para a construção de coletivos, e cortar a burguesia local quede outro modo seria uma força reacionária em uma vizinhança semi-autônoma. Eu garanto não estar advogando “comprar os capitalistas” como uma estratégia revolucionária, mas em Exarchia e outros lugares negócios anarquistas, nesse sentido estritamente limitado, desempenharam um papel na criação de um movimento mais forte.

O mais importante, se queremos considerar a força dos anarquistas gregos, foi o movimento estudantil. Por um ano, estudantes universitários (junto a professores e mesmo muitos estudantes de ensino médio) estiveram em greve, protestando contra uma reforma neoliberal na educação que corporativizaria as universidades, privatizaria algumas delas, e terminaria com a tradição de refúgio que impede a polícia de pisar nos campus gregos. No nível mais superficial, esse movimento estudantil permitiu anarquistas muito mais oportunidades para combater a polícia. Se aprofundando um pouco, foi talvez o conflito social na Grécia com maior potencial para levar a uma situação insurrecionária, similar em alguns aspectos a Paris em 1968. Uma estratégia estritamente organizacional, seja do sindicalismo típico ou das variedades anarco-comunistas, seria muito fraca, e muito inofensiva. Outra organização seria apenas uma competidora com os partidos comunistas, e teria um efeito conservador sobre as paixões dos estudantes, que demonstram a tendência em explodir e agir bem à frente dos planos e predições das organizações, que são aquelas recebendo fogo das autoridades.

Uma abordagem estritamente insurrecionária isolaria os anarquistas do movimento estudantil, que veria-os cada vez mais como parasitas que apenas aparecem para lutar contra a polícia. Sem o envolvimento de uma perspectiva anarquista, nada impediria os partidos políticos de controlar o movimento. E anarquistas são improváveis de conseguir maior respeito do movimento estudantil se desprezarem o trabalho por uma meta a curto prazo na derrota dessa lei educacional. Colocando de lado o dogma sobre o reformismo, todos deveriam ser capazes de ver o prejuízo tático trágico que anarquistas sofreriam se as universidades tivessem seu privilégio de refúgio revogado (agora mesmo, as pessoas podem atacar um grupo de policiais e então correr para dentro da universidade e se manterem seguras), e claro um feroz movimento usando ação direta é muito mais suscetível de dissuadir o governo de pôr esta reforma educacional em prática do que um movimento passivo dominado pelos partidos políticos.

Combatendo a polícia, tomando as ruas, e okupando as universidades, anarquistas podem inspirar as pessoas, acender paixões, capturar atenção nacional e provocar o medo, aquilo que todos imediatamente cheiram e está intoxicado, essas coisas podem mudar. Propagando ideias anarquistas, tornando universidades escolas livres, configurando comitês de ocupação, organizando greves, e prevenindo a dominação das assembleias de estudantes pelos partidos políticos, outros anarquistas podem fornecer uma ponte para muitas pessoas se envolverem, fazer aberturas para solidariedade para outros setores da sociedade, e fortalecer o movimento que forneceu a base para uma possibilidade de mudança. Se esses dois tipos de anarquistas trabalharem juntos, os insurrecionários são menos suscetíveis a deserdarem como estranhos e isolados, jogados à polícia, porque eles tem aliados no próprio centro do movimento. E quando o Estado aproximar-se dos anarquistas organizados no movimento em uma tentativa de negociar, eles estarão menos suscetíveis a fazê-lo porque terão amigos fora da organização mantendo-os respeitáveis e lembrando-os que o poder está nas ruas.

Lições similares sobre a compatibilidade potencial dessas duas abordagens podem ser esboçadas da história anarquista na Espanha de 36, ou da França de 68. Ambos desses episódios for fim mostraram que a insurreição é uma forma elevada de luta, que esperar pelo momento certo é reacionário, que organizações burocráticas como a CNT e a União dos estudantes franceses terminaram por colaborar com o poder e restabelecer o movimento. Mas o que é mais fácil de esquecer é que as táticas insurrecionárias não foram a maior força na criação da fundação necessária. A CNT e a União dos estudantes franceses eram ambas instrumentais na construção da revolução (a primeira ao propagar as ideias anarquistas, dando início a greves e insurreições, construindo conexões de solidariedade, preparando os trabalhadores para tomar a economia, e derrotando sopros do fascismo em muito da Espanha; a segunda disseminando críticas radicais [ao menos por certos ramos], organizando a greve e ocupação estudantil, e organizando assembleias para a tomada de decisões coletiva). O enfraquecimento veio quando eles são reconheceram que sua utilidade havia passado, por mais vitais que fossem, aqueles organizações não eram a revolução. (Isso sem dizer que deveria haver um período preparatório, durante o qual as táticas insurrecionárias são ainda prematuras. Ataques clandestinos em qualquer cena podem ajudar a construir um movimento feroz. Esperar para atacar até que o movimento seja grande deixa-vos com um grande e fraco movimento, com nenhuma experiência em táticas que serão necessária para crescer ou mesmo para sobreviver a repressão acumulada. Pode até deixar-vos com um grande movimento pacifista, o que seria péssimo.)

Entre viver em uma okupa ou em um apartamento e organizar uma associação dos inquilinos, inevitavelmente existirão pessoas que preferirão fortemente um ao outro, trazendo ou não a teoria para o quadro. Isso deveria ser algo bom, porque ambas essas ações podem ajudar a acarretar um mundo anarquista. Quando nós anarquistas desistimos de nossos tacanhos dogmatismos e abraçamos a complexidade que existe em qualquer processo revolucionário, estaremos mais perto.

Porque acredito que eu não esteja realmente feliz com um final feliz, concluirei apontando alguns problemas que penso serem comuns a ambas as tendências. Já mencionei a mentalidade monoteísta que leva a cismas dentro do movimento, mas especialmente nos Estados Unidos, isso existe em uma larga escala como uma inabilidade da maioria dos anarquistas em trabalhar de uma maneira saudável com aqueles de fora do movimento. Temos falhado em descobrir o que faz de outros estadounidenses tick, pelo que são apaixonados, quê esfera de suas vidas é ilegal, sob quê circunstâncias eles se rebelarão, e como engajá-los nisso. Não há respostas simples, e as respostas complexar diferirão entre regiões, comunidades e indivíduos, mas acredito que a maioria dos anarquista, de todas as estirpes, se prenderam a ações auto-referentes e repetitivas ao invés de mergulhar neste tedioso trabalho. Reconhecidamente, as pessoas nos Estados Unidos não são a população mais fácil para os anarquistas engajarem; nossa cultura encoraja conformidade e isolamento, e a ética protestante de trabalho é mais forte do que em outros lugares. Mas deveríamos tomar isto como um desafio e nisto nos empenharmos.

A inabilidade em trabalhar em uns com os outros é também a manifestação de outro valor ocidental que contradiz o anarquismo mais flagrantemente que o monoteísmo, e isto é a mentalidade Risk board, que impregnou a visão do mundo a partir de cima, com nós mesmos posicionados como arquitetos ou generais. É entendido que se munda a sociedade forçando as pessoas a organizarem elas mesmas de certa maneira. Os anarquistas mais clássicos colocam-se em um extremo, assim causando muitas das críticas de que são autoritários ou marxistas, empurrando um programa ou insistindo que a revolução ocorra somente quando as pessoas verem o mundo através das estreitas lentes da consciência de classe. Os insurrecionistas sentiram o aroma disto e vão para o outro extremo renegando o ativismo e em uma grande extensão evitando contato com pessoas que são muito diferentes deles. Dessa maneira eles são tem de se preocupar em forçar sua visão aos outros. Deve ser evidente que ambas essas abordagens repousam sobre a suposição de que o contato entre pessoas que são diferentes deve resultar em uma relação missionária, com um convertendo o outro. A ideia de influência mútua, de organização enquanto construtora de relações com pessoas ao invés de organização enquanto recrutamento de pessoas, é geralmente ausente.

Na minha visão, o maior problema compartilhado por ambos os campos insurrecionários e organizacionais, e pela maioria dos outros anarquistas, é a brancura: e ainda mais do que o fracasso dos anarquistas brancos em resolver o problema mistificador de examinar nossos privilégios brancos, exprimo, intencionalmente preservam uma narrativa do movimento que conta as histórias e contém os valores das pessoas brancas, e recusam reconhecer que a supremacia branca como sistema de opressão é tão importante quanto o Estado, o capitalismo, ou a patriarquia.

Diferentes anarquistas brancos encontram diferentes maneiras de minimizar a questão da raça, dependendo de suas análises. Mas uma linha comum parecer ser aquele perene crença de que para a salvação – ou pior, apenas para nós nos entendermos, o Outro deve tornar-se como eu. Por um lado, isso poderia ser resultado da insistência de que a supremacia branca é nada mas do que uma ferramente e invenção do capitalismo, perfeitamente explicável em termos econômicos, e que para as pessoas de cor se emanciparem, devem renunciar qualquer experiência e história particular que o mundo já pode ter apresentado em reação a sua cor da pele, e identificar-se primariamente como trabalhadores, com nada além de uma pequena diversidade que os vagueia. A minimização da questão da raça pode também mascarar a si mesma atrás de um abuso do reconhecimento que a raça é uma invenção sem justificação fisiológica. Ouvi muito anarquistas levar isso adiante e dizer que raça não existe. Imagino que isso poderia vir como um tapa da cara em um grande número de pessoas no mundo, e certamente contradiz minhas próprias experiência vividas, além de ser também uma declaração extremamente idiota. Por definição algo que não existe não pode causar resultados no mundo real. Penso que a maior parte dos anarquistas que fazem essa declaração ficaria horrorizada por alguns que negam a existência do racismo, mas eles devem estar usando outro tipo de negação, uma que acompanha relações abusivas, sem enxergar que é exatamente isso que eles tem feito. (Outros anarquistas tomam uma rota mais desonesta, porém inatacável, simplesmente denunciando como “política de identificação” qualquer preocupação excessiva com raça). Raça é uma categorização nociva que deve ser abolida, e como o capitalismo ou o Estado, não pode se querer distância ou ser resolvida excluindo-a de análise mais do que a AIDS ou cicatrizes de uma briga podem se querer distância. A mentalidade “daltônica” liberal a qual tantos anarquistas aderem pode apenas ser um caminho do prolongamento da supremacia branca.

Até que anarquistas brancos de todas as estirpes permitam – não, encorajem – o anarquismo a adaptar-se a história não-brancas, o anarquismo estará suscetível de permanecer tão relevante para a maioria das pessoas de cor quanto o voto é para imigrantes. E enquanto os anarquistas continuarem a ver diferenças da mesma maneira que o Estado e a civilização a que opomos nos ensinou, nunca abrangeremos a amplitude da perspectiva e participação que precisamos para vencer.

Comentários sobre dois artigos de cada um dos lados da cisma


The two insurrectionist essays I'll touch on are “Rogues Against the State” by crudo (http://anarchistnews.org/?q=node/1105) from Modesto Anarchist (California), and “Fire at Midnight, Destruction at Dawn: Sabotage and Social War” (http://www.geocities.com/amurderofcrows1/issue1/fire_at_midnight.htm) from A Murder of Crows, out of Seattle. Both of these are well written, thoughtful pieces, and neither in itself is terribly sectarian. But they both contain weaknesses, and I think they both could have been more useful if they had not set themselves in opposition to another way of doing things.

“Fire at Midnight” advocates sabotage carried out inside of or outside of social struggles, without spending much time criticizing other methods. However, the article makes it clear that “We must be willing to examine and scrutinize the methods and strategies of the past so that we do not follow in the footsteps of history’s failed attempts at revolution. To this end we will focus on a method that is as powerful as it is easy to put into practice: sabotage.” However, it does not really discuss how to build the social struggles they acknowledge are necessary for the total abolition of capitalism, and I think most readers would get the impression that sabotage itself is meant to build up such a struggle. Towards the end the article does criticize more organized forms of resistance, though it chooses its targets carefully, in a way that borders on setting up a strawman argument because the effect is that one must either be part of a vanguard party, an institutionalized group that always counsels waiting, or one must take part in autonomous and anonymous, insurrectionary tactics like sabotage. To the author, nothing in the middle is worth mentioning.

The effectiveness of sabotage is exaggerated. In fact, in most of the examples mentioned in the article, the people using sabotage lose (though it almost seems they are celebrated for maintaining a sort of purity throughout the process). Let’s look at two of the cases where people won. One is the campaign against Shell Oil and its involvement with South African apartheid. The article points out that anonymous acts of sabotage throughout Europe and North America against Shell cost them much more money than the boycott did. This is an important fact that demonstrates the effectiveness of sabotage and the silliness of those people who still claim violence (property destruction) hurts the movement, but not when it is presented as a substitute for the boycott. Generally, I am averse to boycotts because they reinforce our role as consumers, but they go along well with education campaigns about, in this case, the need to oppose Shell Oil. They are easy for everyone to do, and harmless to the movement as long as pacifists don’t try to hold them up as an effective alternative to violence. This article certainly appreciates the easiness and replicability of tactics, when it comes to sabotage. The same should apply to the education/boycott campaign because in many ways this campaign provided a foundation for the wave of sabotage. Of course sabotage is more effective, but destroying Shell Oil’s infrastructure and kidnapping their executives would have been more effective still. That's a moot point, because the movement wasn’t strong enough to do this. Its strength needed to be built up, just as it needed to be built up before a large wave of sabotage could occur. By disdaining this building process, insurrectionists would be destroying their own base. By embracing a building process, anarchists could influence the creation of an education campaign based not on values of liberal citizenship but on anticapitalist rage, surely a more supportive foundation for sabotage and other forceful tactics.

The second example comes from the Mohawk (sic) who resisted Canadian government encroachments at Oka in 1990. Sabotage was a strong tactic in this struggle, but far more important was that resistance was carried out by a well organized group united by a common culture (and also willing and able to escalate well beyond sabotage), and many of the external, non-Mohawk groups giving solidarity were also formally organized. Additionally, in such circumstances, the anonymous and spontaneous form of organization favored by insurrectionists really disadvantages the type of communication and accountability that are needed for effective, responsible solidarity actions that don't end up hurting the people you're trying to help. Once again, an exclusively insurrectionary approach would have been less effective and probably self-isolating (especially given the inescapable reality that right now most insurrectionary anarchists — most anarchists — are white, so a strong, exclusively insurrectionist tendency at Oka would have come off as yet another example of white people exploiting the struggles of people of color).

“Rogues Against the State” also comes close to building a strawman in its critique of activism. Again, it’s a bit vague as to who are the targets of the criticism, and in this haze a dichotomy is entrenched between insurrection, which is advocated as the path anarchists should take, and forms of activism that are inevitably reformist and based on getting people to join a specific organization. The essay contains a number of good points — about the problems with building “one monolithic anarchist organization,” that certain technologies such as cellphones and computers require the intensive exploitation of global sacrifice zones so anarchy cannot result from worker control of the present infrastructure — and the section on “Creating Autonomous Spaces” is especially valuable.

But there are also serious flaws. As I pointed out earlier, this strategy does not address the fatal shortcomings that became apparent when it was put into practice in Western Europe. Point 9 contains the important point that anarchists can, do, and should learn from non-anarchist struggles, and that “the masses” do not need to be taught how to act. Yet a number of examples are misleading. In Oaxaca, much of the struggle grew from the strike of the teachers’ union, and was helped along by APPO, the popular assembly (much as this organization may later have had a pacifying effect, organizationalists take note). In the countryside, a large, organized anarchist influence was CIPO-RFM, the association of autonomous anarchist communities, with whom I understand NEFAC (the Northeastern Federation of Anarchist-Communists) works. And as for “rent-strikes,” another spontaneous occurrence praised in the article, is the author aware of how many of these come out of tenants groups, organized quite often by activists (inside or outside the buildings)? In other words, the inspiring examples of insurrection do not bear out the strategy of insurrectionism.

But a great part of the essay is a criticism of activism, and here is one of the weakest parts. The author says much of her/his personal experience was with an activist group the principal activity of which was to dole out charity and try to get other people to join the group. Yeah, that sounds pretty shitty. The assumption that everyone engaged in activism, community organizing, whatever the hell you want to call it, is doing the same thing, is equally lacking in depth. Instead of taking their failures as a sign that they were doing a bad job in their chosen activities, `crudo' instead jumps ship and denounces activism wholesale. “Activism” is never defined, and it's too easy a term to use disparagingly — many articulate, not-so-active anarchists do. But the author gives the example of Copwatch and Food Not Bombs. I've seen examples of these groups that have been effective, examples that have been ineffective, some that have been charity and some that have been empowering. It depends a great deal, not surprisingly, in how you go about it, whether your goals, strategy, and tactics line up, or if you're just mimicking something anarchists habitually do elsewhere. If it's done well and in spite of its weaknesses, activism can teach us how to talk to mainstream people without hiding, or scaring them away with, our anarchist politics, it can help us learn how other people see common problems and thus how we can better communicate a radical critique of these problems, and sometimes even motivate people to get off the couch and respond to their problems with direct action. It can allow us to influence other people's realities, when they see that there are anarchists out there, and therefore the possibility of anarchy, and that by working together and using direct action we can change the situations most people are used to only watching on television. It's a fucking tedious process that rarely brings results quickly, and this has the advantage of teaching us that in the concrete details of people's everyday lives revolution is neither quick nor easy, that simply overcoming this stifling alienation in a single neighbourhood could take years. The built-in disadvantages are that it's too easy to burn out, lose hope, compromise your dreams, or fall into a holding pattern of habitual, uninspired actions to spare oneself the energy it takes to be constantly creative and effective, to keep attacking these walls of alienation by leaving one's comfort zone and talking to strangers. `crudo' seems to have an unrealistic view of this process, though since s/he mentions years of experience in an activist group, it may just be the failing of a mistakenly simplistic paragraph. But it's amazing that in an otherwise intelligent article, the author would suggest wheatpasting flyers around town calling for a general strike as an alternative to talking with AFL-CIO leaders, as though these are the two logical options, as though either one of them could actually accomplish anything. If it's unrealistic to say that a union will usher in the revolution, what is it to suggest that reading a flyer will get people to launch an insurrection? In both cases, a whole lot more creativity and patience are called for.

Point number 8 also displays an unrealistic understanding of the insurrectionist strategy (along with the obnoxious suggestion, based on who knows what, that anarchists who are activists seek compromise with authority instead of complete social transformation). “To be against activism and for a complete social transformation means that we desire the destruction of hierarchal [sic] society and openly desire it’s [sic] abolition. We seek anti-politics, meaning the rejection of representative forms of struggle and a praxis of insurrectionary attack, or the use of actions which seek to destroy any existence of the state and capital and allows for the self-organization of revolt and life. This does not mean that people shouldn’t use activist approaches from time to time (for instance organizing events to fundraise for political prisoners). But in general we need to find a strategy that exists outside of going from protest to protest and from issue to issue. We are in the middle of a social war, not a disagreement between various sides that can reach a compromise.”

Activism is a vague method, or a set of tactics, things like giving away free food or organizing a fundraiser for prisoners. How does this at all suggest activists must believe in compromise with the government? And how exactly does the author imagine setting up autonomous spaces or fighting the state, if activist approaches like fundraising for prisoners are only a part of the picture “from time to time” (has the author ever been to an autonomous space like those he advocates? In Greece and Spain for example, organizing informational events and doing fundraisers are a large part of what they do). Ultimately, crudo's call for war is meaninglessly abstract, because it lacks the understanding of what, practically, war entails.

Then there is the question of privilege. `crudo' says “We need to act along side and with the oppressed for we are of them...” This is another mixed bag of nuts. For those of us anarchists who were born with racial, economic, or other privilege, it is vital to recognize that this system is still poisonous for us, we don't want it, and we're not fighting to save other people but for ourselves, in solidarity with others. `crudo' is clear about this. But there is also a certain sleight of hand occurring in this article, and that is the conflation of all oppressions. For the most part, crudo only mentions class: “As those of the oppressed and excluded we must abolish class society and work. This is our project.” `crudo' subsequently identifies “we” as “proles”. Near the end of the article, `crudo' briefly acknowledges problems of gender and race, and concedes that whites and blacks are not “in the exact same boat” but this afterthought really does not contradict the overall minimization of race contained in the article (in fact the very brief analysis of racism is basically the complaint that race divides the working class, “pitting racial groups against one another”). The author is surprisingly honest about the problem with this perspective, but fails to correct it: “In the `glory days' of anarchism, everyone was only oppressed by class (or at least, that’s mostly what the white men tell us). The negatives of class society was simply that of a physically impoverished existence (poverty, hunger, etc). However, modern life is much more complicated than that. We have become alienated beyond (or on top of) class.” It's telling (hell it's down right disturbing) that `crudo' acknowledges the white supremacist nature of this analysis, and then carries on with it anyway. We should be grateful, though, because most anarchists who discourage any emphasis on race are more sophisticated at hiding their true motivations.

The result of this is that `crudo' has to remind readers, and presumably him/herself, that we are oppressed too, and therefore we have license to intervene in the struggles of all other oppressed people. I think the effect on readers will be to encourage a kind of solidarity even worse than we have been guilty of in the past, approaching the movements of people far more oppressed than us (with more at stake and graver consequences for action) with a strong sense of entitlement, seeing their struggles as our opportunities.

As for the organizationalists...

“An Anarchist Communist Strategy for Rural, Southern Appalachia,” (http://anarchistnews.org/?q=node/1055) by Randy Lowens, written for Anarkismo.net. This article seems to come from a sincere desire to increase the effectiveness of the movement against mountaintop removal (MTR) coal-mining in Appalachia. The author points out how eco-anarchists are an important part of this struggle but says they intentionally isolate themselves from other Appalachians, and moreover their strategy, centered around dramatic direct actions taken by people who operate outside of the community groups also opposing MTR, isolates them further. Randy suggests overcoming that isolation by increasing contact with and spreading an anti-capitalist analysis among Appalachians, and joining the organizations formed to oppose MTR, in order to subvert liberal leadership. Many of those are decent ideas, but given the tone of the essay, I have to say I strongly sympathized with a comment, counterproductive as it was, posted below the article that read simply: “Stay the fuck out of the dirty south, ideologues!” The author dusts off a strategy that seems not to have changed in the hundred odd years of its existence — the stated purpose of the essay is to “construct an analogy between the historical strategy of bringing a revolutionary perspective into mass organizations, and doing so in the particulars of the given place and time, Southern Appalachia in the early 21st century.” The tone with which he talks about anarcho-primitivists in one section is reminiscent of a liberal Catholic Church official during the Inquisition. Essentially: despite their heresy, many of them are good people and must be saved. The suggestion that the masses “are in dire need of a revolutionary voice” also sounds missionary.

“Over time it became apparent to me, that our direct action scenarios were not building links with the community at large.” Similar to `crudo', Randy Lowens suggests changing strategic tracks entirely, again in a way that doesn't leave one very hopeful about the results. His suggested strategy basically sounds like infiltrating (“penetration” of) the reformist environmentalist and community groups and turning them against the liberal leadership, as though that will build better links with the community. As an indication of that friendly anarchist-communist outlook just destined to win hearts in Appalachia, the author refers to the membership in these organizations as “more attractive terrain” for anarchists. And once again, the locals will be required to adopt the imported analysis and identify their experiences strictly with the class struggle. Remember, I have this image of someone shouting over the bullhorn at the next protest, you are not fighting for your homes, your mountains, or your personal well being: you are fighting for your class! I'm not sure what Randy Lowens means by “fellow workers,” but many of the people in the coal-mining regions of Appalachia are unemployed, many of the most active anti-MTR organizers are grandmothers who rarely or never worked a wage job, and those who jealously hold one of the few jobs actually involved with destroying the mountains and getting the coal can be among the most strident supporters of MTR.

But the greatest weakness of this essay by far is its preference for a vague affiliation with the tried-n-true anarchist-communist strategy over any actual strategizing itself. After the analysis of the situation, the reader finally gets to the section entitled “A Strategy for Rural, Southern Appalachian Anarchists” hoping to find some intelligent or at least provocative suggestions for how to radicalize the anti-MTR movement and better connect with (other) Appalachians, only to find that this section is basically the conclusion of the article, with a one line overview of what Malatesta said a hundred years ago, little else of substance, and no details. Need it be said that strategies are best derived from the specific situation one faces? A problem with anarchist-communism, or insurrectionism for that matter, is that at least in their usage by many people these come with pre-packaged strategies that spare their affiliates from any hard thinking about what might actually work in the conditions one is dealing with.

Notes on the article “Anarchism, Insurrections, and Insurrectionism” (http://www.infoshop.org/inews/article.php?story=20061228140637965) by José Antonio Gutiérrez D.

This article is a response to, and something of an expansion on Joe Black's “Anarchism, Insurrections, and Insurrectionism” (http://www.wsm.ie/story/1027) posted on the website of the Workers' Solidarity Movement, an anarchist-communist group in Ireland. José praises Joe Black's article, which is a respectful criticism of insurrectionists, but says the latter only deals with the tactics and organizational forms of the insurrectionists and ignores the “basic political differences”. (Accordingly I will also bring up a few points Joe Black makes about organization, since this article seems to accept those points).

After the necessary introductions, the article starts out: “To understand the problem at the root of insurrectionalism’s political conceptions (fundamentally wrong, in my opinion) we have to take into account that they are the offspring of a certain historical moment...” This seems to be a typical anarchist-communist approach, and while obviously history can be elucidating, it can also be obfuscating, and in the course of this article it is primarily the latter. Quite unfairly, the author doesn't deal with actual insurrectionists today, but talks mostly about times in the past when an insurrectionary tendency has reared its ugly head, and he doesn't even do much to convince the reader the insurrectionists of today and yesterday have anything in common besides the name, which in many cases they hardly do. I'd say it's a manipulative argument but I think the author is sincerely wrapped up in the narrow and dogmatic historicism common to the dialectical and reductively materialist. It seems to me that many anarchist-communists compulsively go to the past to understand, or avoid, present situations, and I guess this has to do with their Marxist heritage and their particular subculture, which seems to favor debates and documents long since dead over innovation or theoretical flexibility.

That said, it also doesn't help that the historical analysis of this article, and the facts it pretends to be based on, are flawed (though because of the obscurantism that goes along with treating history like gospel, most people would probably be fooled, and this is another point in favor of the “emotional” insurrectionist “immediatism” that the author criticizes).

The historical rule the author is intent on constructing is that insurrectionism is a peculiar product of historical periods with high levels of repression and low levels of popular struggle. This assertion does not stand up to the facts. The first example given, “propaganda by the deed,” may or may not have arisen out of the repression of the Paris Commune as he says, but it was carried out across Europe and in North and South America throughout the next decades, at times of low or high repression, low or high popular struggle. In the US for example, the Galleanists carried out their bombing campaigns during a period of high repression, but they had started these bombings while the popular struggles were still at a high level. Terrorism in Russia did not follow the 1905 revolution (the author's second example), it was a major part of that revolution, and it was well developed before the repression began, when there was a high level of popular struggle. This insurrectionary activity was part of the struggle, largely carried out by workers. Industrial workers, peasants, poor people, and many Jewish people formed Byeznachalie and Chernoznamets groups that stole from the rich, bombed police stations and bourgeois meeting points, and so on (and nearly all of these were anarchist-communists, opposed primarily by the Kropotkinist anarchist-communists in exile or by the anarcho-syndicalists). José leaves out insurrectionism in Spain in the 1930s, at the very height of the popular struggle and occurring in periods of high and low repression — in Spain most clearly, the insurrectionists proved themselves to be more insightful than the CNT bureaucrats who always advised waiting and negotiation. And he mentions insurrectionism in Greece in the '60s, but ignores its much more important incarnations today, where it is quite at home in the high popular struggle of the student movement, and set against a state repression that cannot be characterized as particularly high.

Gutiérrez provides a good criticism that an increased reliance on insurrectionary tactics can come as a response to isolation. This is very true, but trying to make a historical rule out of it is sophomoric. Another humorous example of reductionism: “the social-democracy consolidated in the moment of low level of struggles after the Paris Commune, renouncing to revolution and putting forward a reform by stages approach as their strategy. For them, the moment of low confrontation was the historical rule — this is the main reason to their opportunism.” Oh, so that's why!

Elsewhere in the article the author strikes another low blow: “Also, the moments of a low level of popular struggle generally happen after high levels of class confrontation, so the militants still have lingering memories of the `barricade days'. These moments are frozen in the minds of the militants and it is often that they try to capture them again by trying hard, by an exercise of will alone, by carrying on actions in order to `awaken the masses'... most of the times, these actions have the opposite result to the one expected and end up, against the will of its perpetrators, serving in the hands of repression.” Saying clandestine actions serve the repression sounds like pacifism and it completely misunderstands the nature of the state, which will manufacture excuses for repression as needed (e.g. the Dog Soldier Teletypes used against AIM). The only thing that justifies repression is other radicals who backstab those using different tactics rather than helping to explain those tactics to the masses with whom they're supposedly in touch. If a population is pacified enough, indoctrinated enough by state propaganda, going on strike or even joining a union can be popularly seen as justification for repression. Anarchists should recognize there is no natural threshold of action beyond which people will automatically see repression as justified.

Gutiérrez also makes a point about insurrectionists doing the work of provocateurs, but this point is overplayed and ultimately pacifying. Provocateurs encourage stupid actions to hurt a movement or allow them to neutralize some key organizers, but they never wait for such excuses (for example they assassinated Black Panther Fred Hampton even though he never took the bait suggested by the infilitrator). And more often, the government encourages passivity, waiting, issuing demands, negotiating, operating in formal, above-ground organizations that are basically like a snatch-squad's goody bag if heavy repression is ever needed (I discuss this at greater length in `How Nonviolence Protects the State'). But insurrectionists in small affinity groups are better prepared to discuss, evaluate and plan clandestine and aggressive direct actions in an intelligent manner (i.e. one that does not at all serve state interests) than are organizationalists, because the former tend to take better security precautions and their structures are far more intelligently designed when it comes to surviving repression. José Antonio Gutiérrez not only misses the mark, he presents his point in an exceedingly disgusting fashion, that “irresponsible or untimely action of sincere comrades” is more dangerous than the conniving of government provocateurs. This divisive, heavy-handed denunciation is tantamount to the backstabbing obstructionism vanguardist groups always bring to bear on those who act without their permission (for example, the Trotskyists who always said the actions of the Red Brigades, or the Angry Brigade, were the work of fascist/state provocateurs, or the similar people who said the same thing about the recent rocket attack on the US Embassy in Greece). It's even worse that the article provides no examples of such “irresponsible” action. By being vague, the author covers himself from criticisms of “blanket” denunciations like the same kind he faults insurrectionists for using, but the result of his caution is to feed into an abstracted, stereotypical image of irresponsible insurrectionists that is neither respectful, productive, nor, it would seem, with much factual basis.

José dismisses the potentially useful criticism coming from insurrectionists, saying instead that insurrectionism is useful because it mirrors all the weaknesses in the anarchist movement, so it's like a clear illness to be cured. Little if any insurrectionist criticism is dealt with fairly (instead of quoting insurrectionist criticisms, the author tends to rely on generalized notions of such criticisms).

Here's a related example: “Another huge problem in discussion among anarchists is the use of blanket concepts, as demonstrated by comrade Black, that in fact help more to obscure than to clarify debate. For instance, it is too often that “unions” are criticised as if all of them were exactly the same thing... ignoring the world of difference between, let’s say, the IWW, the maquilas unions or the AFL-CIO in the US. To group them all under the same category not only doesn’t help the debate, but it is also a gross mistake that reveals an appalling political and conceptual weakness.”

Well, it's interesting to note that in the “Aims and Principles” of the Anarchist-Communist Federation (1995 edition), point number seven begins “Unions by their very nature cannot be the vehicles for the revolutionary transformation of society” and later clarifies that “even syndicalist unions” are also subject to this “fundamental” nature.

Elsewhere, Gutiérrez says “the very criticism made by insurrectionalists can work as a godsend for [the] State to justify repression.” The example the author uses is of a Mexican anarchist group that apparently criticized APPO and CIPO-RFM in Oaxaca, during the state repression. The suggestion that insurrectionist criticism helps the state is heavy-handed and, no matter what the author may say or intend, fosters an air of silence and, ultimately, exactly the kind of authoritarianism insurrectionists have validly warned against. I have not read the criticism put out by the Informal Anarchist Coordination of Mexico that is referred to, and I don't know if it is respectful and accurate or not (though I have read a few other criticisms of APPO developing a reformist, conciliatory character towards the end), but the argument that it was untimely creates an attitude against criticism when criticism is needed most. I suppose in the autumn of 1936 in Catalonia, to beat a dead horse, criticism was also untimely, but that was when the CNT-FAI really needed to be set straight, the point of high pressure when mass organizations and representative organizations are most likely to sell out.

He makes a sometimes fair point that insurrectionists are constructing an ideology around a preference for a single tactic (though if the author has read any of the better insurrectionary writings he must not have understood [perhaps they didn't mention class enough] that they were very insightfully creating ideologies or theories out of analysis and contact with reality far more than I think any anarchist-communist has done since before World War II). But the author says insurrectionists are ineffective because they are functionally incapable of evaluating tactics due to their informal organization. The suggestion that you need a “programme” “to measure the effectiveness of the actions” comes out of left field without any justification (similar to the assumption that you need to identify with your class in order to understand your oppression), and I'm left with the image of a particularly dogmatic third-grader who insists all solemn-eyed that without your multiplication table in hand it is impossible to know what two times seven equals.

I've saved his best point for last: “Revolutionaries, above all, have to learn the art of perseverance. Impatience is not a good adviser as taught by revolutionary experience. This does not mean to wait, but to know how to choose the type of actions to perpetrate in certain moments.” As boring and wooden as organizationalists may sometimes be, I think many insurrectionists overplay the liberatory potential of fun. Granted, you can't really describe how liberating play can be if you write in as boring a way as, for example, I do, weighing the pros and cons and blabbering away for, Christ, sixteen pages already?? I don't have a problem with “Armed Joy,” to name one, but if this is the only thing you read your strategy and expectations of revolution will be sorely handicapped. I agree with the insurrectionist caution against sacrifice insofar as the Chairman Mao figures typically advocating it have all been frauds in the past, but as much as we can empower ourselves here and now we really can't totally determine the character of the revolution, and the state sure as hell has the power to make sure it won't be fun. A preference for fun too easily becomes a preference for comfort, and revolution is not comfortable. It occurs to me that an exclusive emphasis on attack, on action now, and the impatience that sometimes goes with that, leads to revolutionaries who cannot swallow the consequences of their actions. As an example I would name the ELF, and how quickly most of them rolled over and began to cooperate with the state once they were caught.

There are a few points from Joe Black's original article that also need addressing, and most relevant is his defense of formal organization. “Far from developing hierarchy, our constitutions not only forbid formal hierarchy but contain provisions designed to prevent the development of informal hierarchy as well. For instance considerable informal power can fall to someone who is the only one who can do a particular task and who manages to hold onto this role for many years. So the WSM constitution says no member can hold any particular position for more than three years. After that time they have to step down.” However, constitutions are not power. The paradox is that what's written on paper actually means nothing to the functioning of bureaucratic organizations, and if some people haven't digested that fact yet it's about as safe for them to work in a large, formal organization as it is to put a seeing-impaired two-year-old behind the wheel of a five-ton tractor. The CNT joined the government in Spain in 1936 in a procedure that violated its constitution, to refer again to that sacred font of historical anarchist examples. Structure is only part of the equation, and power-sharing structures can easily be subverted if the group culture is not also fervently anti-hierarchical. A criticism by insurrectionists which is valid in at least some instances is that organizations with formal constitutions and elected, specialized positions tend towards a rigidity and stagnation that invites the development of hierarchy. I personally don't think such groups should be off limits. It's clear that both suggested forms of organization have their weaknesses, and informal organizations are certainly vulnerable to informal hierarchies, but I think Joe Black has missed the substance of the criticism that, when apprehended, could hold the weaknesses of formal organizations in check.

I also want to point out the falsehood in the following: “Anarchist communism was clarified in 1926 by a group of revolutionary exiles analysing why their efforts to date had failed. This resulted in the publication of the document known in English as the `Organisational Platform of the Libertarian Communists' which we have analysed at length elsewhere.” This is misleading — most anarchist-communists opposed the Platform. I honestly don't have an absolute problem with folks who want a platform to clarify their efforts and basic beliefs, although I don't think I could ever limit myself to a few points on paper, but this suppression of disagreement evident in Joe Black's historical cherry picking certainly mirrors the conformity that will accompany a platform unless its authors are careful, conscious, and well meaning.

Since it looks like that time to slop together some kind of conclusion, I'll say that I suppose I don't believe the structures or forms of voluntary organization we adopt act deterministically to control our outcomes (though they have a strong influence, as all tools do, on the wielder) but all the structures and strategies developed by anarchists so far have serious weaknesses, and these flaws will be fatal unless we are more honest, flexible, receptive to criticism, and energetic than we have been to date.

Notas

  1. No inglês, becoming embroiled in
  2. Em inglês, fucked up. (N. do T.)
  3. Enfrentamento entre grupos a curta distância (N. do T.)
  4. 4,0 4,1 4,2 4,3 No inglês “above ground”, talvez uma expressão. Suspeito que signifique “às claras”, “abertamente”, ou algo do tipo.
  5. Revista americana com foco em anarco-primitivismo, ambientalismo radical e anarquismo pós-esquerda, sendo um de seus editores John Zerzan (N. descaradamente copiada da wikipédia anglófona pelo T.)
  6. No inglês, stage-manage
  7. No inglês, squatters
  8. No inglês, ghettoized. (N. do T.)
  9. Favor revisar. No original by many accounts flood in addictive drugs. (N. do T.)
  10. No inglês, hit the nail on the head, expressão que literalmente significa “bateu o prego na cabeça”. (N. do T.)
  11. No inglês, nail, referindo-se à expressão anterior (ver nota acima). (N. do T.)
  12. No inglês, mainstream society, literalmente “corrente principal da sociedade”. (N. do T.)
  13. Ficou ambíguo, no inglês, com o uso do too. (N. do T.)

(Sobre a nota 4: Exatamente. 'Above ground' (ou aboveground) aparece quase sempre em contraste com 'underground'. Tem o sentido de 'não-oculto', 'às vistas', 'abertamente' ou ainda (em muitos contextos) 'legalmente', 'segundo o establishment'...)


Source: Retrieved on June 17, 2009 from http://mostlywater.org/insurrection_vs_organization_reflections_on_a_pointless_schism


Textos

A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z