Da TAZ à revolução: Hakim Bey num okupa em Milão

De Protopia
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Hakim Bey


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(Transcrição e tradução do vídeo de 14 de Junho de 1997, Hakim Bey fala no Centro Autogestionado Okupado Cox 18, na cidade de Milão.)

Esta tem sido uma viagem bem selvagem pela Itália, e eu não tenho nenhum discurso preparado para apresentar, mas a partir de tudo aquilo que aprendi a partir da minha própria experiência pretendo escrever um prefácio especial para a edição italiana, para o Millennium, o livro em que estou trabalhando no momento. Pelo menos inicialmente seu subtítulo será "Da T.A.Z. à Revolução".

É verdade que neste livro utilizo a palavra "revolução", e também é verdade que há 13 anos atrás quando escrevi T.A.Z. relutei muito em utilizar este termo, e de fato, era contra o seu uso. E mesmo hoje tenho um pé atrás com a idéia de revolução. Quando você usa a palavra "revolução", historicamente isto implica em fazer referência a uma ideologia, e uma ideologia implica em uma vanguarda, um grupo de líderes. Implica igualmente em uma estratégia, e também num comportamento generalizado que na prática se torna quase militar, sobreposto a quase todas as esferas de ação e pensamento. Quero deixar claro que minha idéia de revolução seria bem diferente disso, não se trata de um retorno à individualidade ou à uma autonomia estratégica. Não envolve uma tirania da interpretação. De alguma forma, esta revolução da qual falamos seria uma tática e não uma estratégia. Uma tática, recorrendo a uma metáfora militar, é um programa para o dia a dia. A tática responde imediatamente a situação que se apresenta, e não está limitada em si mesma, mas se dá com relação ao que está por vir, de forma a se tornar uma estratégia. Se temos que falar de uma estratégia, trataremos de uma que emerge organicamente das táticas que adotamos em nossas vidas cotidianas. E eu não sei exatamente como isto acontecerá, de alguma forma foi nos dito que vivenciamos o fim da História, mas de algum modo é da própria História que este fenômeno está aflorando, e particularmente me refiro a histórias pessoais: Nós mesmos como sujeitos de nossa própria história.

É nesse sentido que falo de uma mudança tática em meu novo livro Millennium, é algo que veio de minha experiência pessoal, da minha vivência em eventos ocorridos entre os anos de 1989 e 1991. E estas experiências implicaram também em uma quantidade significativa de dor, ao menos em um sentido conceitual, diante do espetáculo do colapso de um "movimento" e, em consideração ao problema da T.A.Z., a zona autônoma temporária, diante de um mundo unificado de "capital puro". De repente, entre 1989 e 1991 nos Estados Unidos, e falo de uma experiência norte-americana e não necessariamente da européia, ficou claro que o milênio chegou ao seu fim, de um modo bem real, de uma forma que repercute em nossas vidas cotidianas. Por exemplo, temos o retorno de uma mentalidade neo-puritana, no âmbito oficial vemos a "guerra contra as drogas", a "guerra contra a sexualidade", e cedo ou tarde, digo, mais cedo do que tarde, rapidamente estes eventos transformarão a vida social nos Estados Unidos. E mesmo pessoas que estão envolvidas no movimento são infectadas por estas mudanças. Quanto mais mentiras forem vendidas, maior será o número de pessoas a introjetá-las, e isso é algo que podemos aprender também pela história da Europa. Logo a dor em que fui envolvido, estava relacionada não à violência, mas ao desaparecimento de um movimento inteiro. Claro que havia dor física envolvida por exemplo para aqueles que foram apanhados pelo espetáculo da "guerra contra a droga", na "guerra contra a sexualidade", nas alternativas em geral, mas para além disso há ainda a dor pelo desaparecimente, a dor pela apatia, a dor pelo não-movimento e de não movimentação. E o que mais me impressiona é ver meus companheiros de movimento dizendo que simplesmente não há nada a se fazer. Alguns se sentem até mesmo bloqueados psicologicamente. Qualquer tipo de ação, qualquer tipo de violência, qualquer tipo de resposta realmente parece poder ser recuperada em meio a esta bolha global de Capital.

Por exemplo, pegue a mídia, a idéia de que você pode conseguir um emprego em emissoras de televisão e ainda assim "permanecer puro", numa posição de infiltrado em pró da revolução - isso não funciona - o fato é que o mundo do capital globalizado adoraria ter 600 canais televisivos diferentes, e um desses canais poderia tratar exclusivamente do "estilo de vida revolucionário". Podemos até mesmo pensar em sua publicidade "seja um rebelde, compre uma bugiganga", "imagem não é nada, sede é tudo, obedeça a sua sede", ou ainda uma muito divertida com um monte de pessoas bonitas em uma bela paisagem campestre praticando Yoga, e a próxima imagem é um pacote de cigarros e o slogan em inglês é "encontra o seu mundo". Logo, em outras palavras, autenticidade, rebelião, o estilo de vida alternativo, tudo isso pode ser transformado em mercadorias e vendido novamente a você.

Então, como alguém pode ser um rebelde dentro da mídia nesta situação? Por outro lado se você se ater a nova mídia, a mídia underground, a mídia alternativa intimista, você vai se ver ensinando o padre a rezar a mídia, já que as únicas pessoas que recorrem à mídia alternativa são aquelas que já estão convencidas. Mas se você pegar a mídia alternativa e colocá-la na televisão, e colocá-la na internet, ou em qualquer âmbito da mídia de massas, você simplesmente desaparece, se torna apenas mais uma possibilidade de comprar seu lugar no fim da história. Uma grande barganha no fim da história.

Logo, esta é uma situação muito dolorosa porque todos os grupos "alternativos" estão trabalhando para agências. Os revolucionários de "Zines", a "revolução da Internet", os "revolucionários da multimídia", e o "movimento anarquista revolucionário" que estava indo muito bem até 1989, para além do esquerdismo institucional, os movimentos de contestação estavam vivos e cheios de atividade, por outro lado nos Estados Unidos jamais tivemos uma esquerda institucional, lá de fato as alternativas eram realmente alternativas, não existia uma alternativa oficial. E ver todas essas possibilidades sumirem em baixo do Capital Midiático, ou ainda destruídas sob o clima de terror que foi criado em torno do triunfo do Capital Global, isto sinceramente foi algo muito doloroso para mim. Não quero parecer dramático mas estive muito bravo e confuso durante estes últimos 5 anos. E Millennium é o livro que surgiu depois dessa raiva e dessa depressão. E é este o motivo dele ter uma atmosfera bem diferente do livro T.A.Z. escrito anteriormente.

O que busco basicamente não é eliminar a idéia de zona autônoma temporária ou suas políticas de prazer e desejo, mas pelo contrário, esta é uma tentativa de salvar esse tipo de fenômeno. Devido as mudanças fantásticas que estão acontecendo no mundo, existe uma necessidade de recontextualizar, de reteorizar as políticas de prazer e desejo. Não fui eu o inventor da zona autônoma temporária, ela é somente um fato que pude observar. T.A.Z. é realmente um trabalho de História, de História Social, apenas um fenômeno que outras pessoas deixaram de lado anteriormente, mas para mim é algo completamente normal, como é normal para o corpo humano ter uma cabeça, dois braços e duas pernas. Pessoas que vivem numa situação de opressão, irão buscar uma alternativa, e uma alternativa é o que chamo de Zona Autônoma Temporária. É "natural", no sentido de que acontece, não é possível impedi-la. Mas a T.A.Z. não é por si só uma solução para o tipo de problema que por exemplo nós enfrentamos em 1989 e 1991, porque existem outras coisas que estamos agora experenciando que estão relacionadas ao desaparecimento do natural, o desaparecimento do corpo. Esta idéia pode soar bem teórica até você ter que lidar com coisas como bio-engenharia (engenharia genética) ou clonagem.

Michel Foucault falou do desaparecimento da sexualidade, no entanto não viveu tempo suficiente para ver isto acontecer. E está acontecendo literalmente agora, não só em teoria, não só como uma metáfora. A engenharia genética é potencialmente capaz de tornar o sexo obsoleto. A sexualidade não é mais necessária para a reprodução do trabalho e logo não será mais necessária. De fato a sexualidade pode agora ser encarada como algo por demais bagunçado e sujo, um distúrbio da pureza da sociedade da informação. Através da bio-engenharia o corpo humano pode se tornar ele próprio a mercadoria final. O aspecto mais negativo está no fato de tudo girar em torno do dinheiro quando até mesmo o desaparecimento da sexualidade ela própria se tornar uma mercadoria. As trocas existentes em todas as formas de relaçao entre humanos pode ser reduzida a dinheiro.

Então isso nos leva a uma redescoberta da política ela própria. A mim me parece que que um resposta mais fundamental deve ser mais que repetir aquilo que eu disse a 13 anos atrás. Da perspectiva americana esta é uma situação muito desesperadora. E não há como não pensar que do ponto de vista europeu não é muito diferente. Vocês podem me corrigir se estou enganado, mas penso que há uma necessidade, de alguma forma, de falar na defesa da vida e na defesa da imaginação. Não considero este um assunto puro, ou como fenômeno puro que deva ser defendido de toda a impureza. Vejo isto também como uma recusa de poder, o que não está conectado, de forma alguma, com a forma como a política é entendida em seu sentido tradicional, que é a conquista do poder. Mas, em algum lugar no paradoxo entre a tática e a estratégia, deve emergir a defesa da própria vida, ou se preferir a defesa do biológico, que inclui também o que é mental e imaginativo, separar estas duas esferas, seria um erro dualístico.

Penso que foi muito interessante escutar as diferentes respostas à T.A.Z. minha obra anterior, aqui na Itália. Alguns a criticaram como uma forma de escapismo, uma desculpa para um hedonismo egoísta, uma recusa a encarar a realidade crítica, e por outro lado outras pessoas a saudaram se apropriando dela com entusiasmo, como a grande solução. E temo que a razão pela qual estou trabalhando nesse prefácio é porque me parece que este novo trabalho será aceito ou rejeitado pelas razões erradas.

As pessoas que me criticaram como escapista dirão (com os braços balançando num tom de "quem diria"): - Ahá! Hakim Bey finalmente descobriu a política! Que demais!

E do outro lado, as pessoas que se apropriaram de TAZ como a solução final falarão (num tom decepcionado): - Óh! O Hakim Bey desistiu da causa, tornou-se obcecado pelo poder político.

Tenho que admitir que a minha própria ambiguidade não tem solução nesta situação. Mas nunca propus a T.A.Z. como a solução final ou definitiva. Penso que ela é algo que simplesmente acontece na vida humana, é algo que deveria ser celebrado. E não estou dizendo agora que essa prática tática deveria ser abandonada. Como dizia, como seria possível pedir para que fosse abandonado algo que é natural, que possui uma função orgânica, biológica? Se você definir a liberdade como uma habilidade psicocinética como eu fiz, isso é algo que você simplesmente não pode abandonar, porque lhe é constitutivo no seu sistema.

Penso que o que estou dizendo é que estou buscando uma nova síntese. E o livro Millenium que espero que vocês possam ler em setembro, deverá ser esta síntese que, espero, especialmente com esta introdução, seja visto como uma nova direção, e não como um abandono de posições anteriores.

Para mim está claro depois de alguns dias na Itália que esta obra precisa ser contextualizada para a realidade italiana. Nos Estados Unidos nós temos duas pequenas políticas, talvez não tenhamos quase nenhuma política de fato. Talvez na Itália haja política até demais. Nos não temos nos Estados Unidos algo como esses centros sociais, então se esses centros sociais representam uma espécie de ponte com a ideia da T.A.Z. isso é algo que nunca ocorreu nos Estados Unidos. Sabem, ouvimos algumas coisas, mas é preciso vir e ver com seus próprios olhos o que significa a existência de dezessete centros sociais em Roma.

- E quantos existem em Milão? (pergunta para o tradutor)

- Doze. (tradutor responde)

- Incrível, realmente incrível para mim.

Ao mesmo tempo, vejo que não seria um equívoco afirmar que existe uma crise nos espaços dos centros sociais. Nos Estados Unidos agora estão falando sobre "voluntariado", é o novo slogan da politicagem. A mim me parece que o estado nacional efetivamente decidiu abandonar todos os ideais sociais: nada mais de estado de bem estar social, não mais recursos para a arte ou para os desempregados, nada disso. Então alguém tem que fazer esse trabalho, alguém tem que cuidar dos viciados, das pessoas com AIDS, e se ocupar da arte e da cultura. E então eles tiveram esta brilhante ideia:

- Você! Você fará isso! Você é um voluntário para esse tipo de coisa! E você não precisa ganhar dinheiro porque é um bom cidadão patriota! Uma pessoa de boa moral Seria imoral se você pedisse dinheiro para fazer isso pela sociedade!

Então é isso, nós supostamente deveríamos fazer o trabalho do governo. Agora posso ver que talvez isso também esteja acontecendo na Itália. De novo, me corrijam se eu estiver errado, vejo que diante da possibilidade de desintegração do estado italiano, eles vêm até os centros sociais e dizem: - Sim, vocês são uteis para o país! O estado não vai mais fazer, então este maravilhoso sistema já está instalado, e vocês só tem que ir e assumir o trabalho que o estado abandonou.

Poucos anos atrás na Holanda, pela primeira vez ouvi a expressão "tolerância repressiva". Eles tinham algo como 8 mil pessoas em um squat em Amsterdã, digo, no início da década de 1980 eles tinham 8 mil pessoas vivendo em squats. Quando ouvi falar desta expressão havia no máximo cem pessoas vivendo nesses mesmos squats. E o que aconteceu com as outras 7 mil e novecentas pessoas? Elas foram mortas pela polícia? Suas casas foram queimadas? Eles foram perseguidos e empurrados para fora do país? Nada disso. Não. O governo da Holanda disse:

- Peguem as casas, elas são de vocês. Nós gostamos de vocês agora, vocês são bons, são boas pessoas agora. Vocês cuidam dos junkies, cuidam das pessoas loucas que não têm para onde ir, vocês promovem a cultura, promovem a arte. E alguém precisa fazer esse trabalho sujo! E vocês já são voluntários!

Esse é o tipo de implosão, de desaparecimento do qual estou falando que está acontecendo nos Estados Unidos. Aqui na Itália é mais dramático pois este sistema de voluntariado já está estabelecido e, de fato, emerge de um belo e quente movimento radical, o que nos EUA é muito mais desorganizado e esparso, e nunca colapsou este interessante sistema que vejo na Itália.

Mas vejo uma possibilidade desse clientelismo aqui na Europa, no horizonte, agora. É parte do projeto neoliberal, privatizar a tudo, mesmo o calor humano, mesmo a emoção. E a simples função dos estados nacionais será a de polícia em um supermercado global.

É preciso fronteiras para que haja câmbio e dessa forma, especulando se pode ganhar milhões de dólares. E é preciso colocar impostos sobre os cidadãos para que exista "bem estar" para as grandes multinacionais, programas militares, gastar bilhões de dólares em armas que nunca serão usadas. E a nação está simplesmente dizendo à sua população desarmada "vamos extrair dinheiro de vocês e não lhes daremos nada em troca, nenhuma redistribuição, nada". Isso é o que chamo de crise de implosão, crise de desaparecimento.

Podemos pegar um caso especial desta situação, presumo que muitas pessoas aqui estão envolvidas, envolvidas em uma ocupação deste interesse. Estamos falando de criatividade, de mídia e de imaginação. Então deixo de lado a questão política por um momento, para falar de algo que talvez seja mais abstrato em um sentido, e mais concreto por outro. Isso é o que eu chamo de "a tirania da imagem".

Uma coisa sobre o capitalismo global, é que ele coloca a si mesmo como um mega sistema de mídia. Não estou só dizendo que 99,9% das imagens que circulam pelo mundo, são controladas por onze ou doze grupos de mídia. Estou dizendo que o dinheiro ele próprios é colocado, ele próprio, como o único meio de troca possível em uma relação. E o que ó dinheiro? Dinheiro é o que as pessoas pensam que é o dinheiro. Dinheiro é algo puramente imaginário. A certo ponto, costumava estar conectado com metais preciosos, e sobre o que se imaginava sobre eles. Atualmente está conectado a nada além de imagem, nada além da própria imaginação.

Então, através da publicidade, da educação, da lavagem cerebral, da alta tecnologia, e talvez até por meio de raios magnéticos e coisas que entram nos cérebros e condicionam mentes, tenho amigos na Rússia que me falaram de tecnologias como estas, em um tom convincente - o fim total do totalitarismo contido nesta atividade midiática é criação de um imaginário global. Você pode experienciar esta imagem global a qualquer momento, basta estar exposto a um outdoor ou televisor, mas este é só o aspecto exterior e vulgar de algo que acontece no âmbito de uma realidade interior mais profunda e espirital, diante de uma imagem mercantilizada ou não, o mundo ele próprio passa a ser visto como uma única imagem mercantilizada.

Então, neste temos um problema com a imagem. Esta seria uma forma de teorizar o problema dos centros sociais italianos de que estava falando antes. Me parece que esta é uma tentativa de enquadrar os centros sociais em um imaginário global: mudar a visão de que os fundamenta. Como ocorreu em Amsterdã, um dia você é um punk raivoso e selvagem, e no dia seguinte você é parte do cartão postal.

Nós temos um problema com a imagem. E o que se faz numa situação espinhosa como essa é muito complexo e difícil de saber. Digamos que você é um cineasta brilhante, que produz um filme brilhante sobre o problema da imagem. E agora ele passa na televisão, no canal 600, o Revolutionary Channel. E as pessoas assistem e pensam - Uhmmm, isso é muito interessante. Mas o que será que está passando no Canal Privê, por 9,99?

Em outras palavras toda ação artística e estética pode ser consumida, subsumir neste imaginário global. Chamo isso de a síndrome do palhaço malvado: uma sociedade que de fato tem suas bases na depravação viciosa da imagem, precisa deixar em algum ponto próximo a margem, um pequeno showzinho que distraia a atenção do problema.

Então, este é o problema encarado pelo chamado "trabalhador cultural": tudo que é produzido é imediatamente subssumido dentro deste sistema opressivo, para garantir que a opressão global não seja vista, seja invisibilizada, desaparecida


Escolho utilizar o termo invisibilizar ao invés de desaparecer.

como uma forma de invisibilizar a repressão dentro deste sistema. Não estou falando de contemplação, nem estou falando de puramente de invisibilização, invisibilização seria uma substância pura, e não é a pureza o que me interessa.




(parei em 0:43:56 de 1:17:03)


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