A verdadeira causa da Crise Econômica de 2007-2008

De Protopia
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Os capitalistas promovem falsas explicações da Crise Econômica de 2007-2008.

Essa falsificação é necessária para evitar que as massas compreendam a verdadeira causa da crise e passem a lutar contra o capitalismo.

Em suma, cabe dizer que se trata de uma Crise de Superprodução.

Essa conclusão fica clara a partir da leitura de um artigo denominado como:

UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A DESIGUALDADE NA DISTRIBUIÇÃO DE RENDA E O ENDIVIDAMENTO DOS TRABALHADORES NORTE-AMERICANOS DOS ANOS 1980 AOS ANOS 2000

Que foi resumido em um artigo na Wikipédia denominado como Concentração de renda nos Estados Unidos, que demonstra que no período entre o New Deal e a década de 1980, houve uma redução da concentração de renda nos Estados Unidos, entretanto, a partir da década de 1980, houve um aumento dessa concentração.

Era Dourada

A partir do período posterior à II Guerra Mundial até a década de 1970, a economia norte-americana conciliou elevadas taxas de crescimento, alto nível de emprego e aumento do padrão de vida da população, com aumentos reais dos salários reais e redução da desigualdade na distribuição de renda.

Entre 1947 e 1973, taxa média de crescimento do Produto Nacional Bruto (PNB) foi de 4,0% e a taxa de desemprego alcançou uma média de 4,7%.

Essa prosperidade não foi fruto do “livre mercado”, mas baseada em políticas econômicas intervencionistas e em regulamentações e regulações: do mercado de trabalho, dos sistemas bancário e financeiro e dos fluxos internacionais de capitais.

Essa situação teve sua origem durante o New Deal, por meio do qual foram estabelecidas políticas públicas favoráveis ao pleno emprego, formalizado no "Employment Act", de 1946; e equilíbrio entre os interesses grandes empresas e dos trabalhadores, representados pelos seus sindicatos, de modo que os salários seriam aumentados de acordo com os ganhos de produtividade.

Desse modo, entre 1953 e 1973, os salários reais aumentaram mais de 50%.

A intervenção do Estado na economia resultava em uma melhor distribuição de renda. Desse modo, em meados da década de 1970, a renda gerada na economia norte-americana, antes da tributação, seria atribuída de modo que os 10% mais ricos recebessem 61,8 vezes o montante recebido pelos 10% mais pobres, entretanto, após a tributação e as transferências, esta razão caía para 17,7.

Aliás, em 1944, a maior alíquota marginal do Imposto de Renda chegou a 94%. Na década de 1960, ainda era de 91%, depois disso houve uma redução paulatina, que fez com que essa alíquota chegasse a 70%, em 1975.

Em 1983, Reagan reduziu essa alíquota para primeiro reduziu-a para 50%, redução essa que continuou, até que chegou, em 1986, a 28%. Depois disto, houve uma nova majoração, de modo que chegou a 35% em 2007, durante o governo de George W. Bush.

Os sindicatos foram fortalecidos, em 1977, 35,5% dos trabalhadores do setor privado manufatureiro eram sindicalizados.

Era Neoliberal

No final do governo de Jimmy Carter, Paul Volcker assumiu a direção do Federal Reserve e deu início à restauração conservadora, que seria consolidada durante o governo de Ronald Reagan, que teve início em 20 de janeiro de 1981.

No segundo semestre de 1979, Paul Volcker elevou as taxas de juros a patamares extraordinários para os padrões da economia norte-americana.

Este movimento conseguiu controlar a inflação, mas levou a economia norte-americana para a maior recessão do período posterior à II Guerra Mundial.

Também foram cortados gastos que faziam parte da política de proteção social, mas foram aumentados os gastos militares, dando início a um período de “keynesianismo bélico”. Durante a era Reagan, a Dívida Pública dos EUA triplico.

Recessão entre 1979 e 1982, nesse período a economia norte-americana apresentou a uma elevada taxa média de desemprego: 7,7%, sendo que, entre setembro de 1982 e junho de 1983, essas taxas foram superiores a 10%. Nesse período os sindicatos foram enfraquecidos, o que viria a prejudicar reivindicações por aumentos salarias no período posterior.

Durante a Era Reagan a taxa de sindicalização cairia de cerca de 35% dos trabalhadores do setor manufatureiro, em 1977, para menos de 15% na primeira década do Século XXI.

Entre 1983 e 2007, a taxa média de crescimento do Produto Nacional Bruto (PNB) foi de 3,0% e a taxa média de desemprego foi de 5,8%, enquanto que, na "Era Dourada", ou seja, entre 1947 e 1973, essa taxa média fora de 4,0% e a taxa média de desemprego fora de 4,7%.

TABELA

Quando se analisa isoladamente a participação na renda nacional dos:

  • 10% mais ricos, que havia tido uma pequena queda de 1,2% entre 1947 e 1973, observa-se que no período entre 1982 e 2007, essa participação passou de 33,2% para 45,5% (aumento de 12,3%);
  • 5% mais ricos, observa-se que no período entre 1982 e 2007, essa participação passou de 21,4% para 33,9% (aumento de 12,5%); ou seja, todo o ganho dos 10% mais ricos foi concentrado no aumento da participação da renda obtida pelos 5% mais ricos;
  • 1% mais ricos, observa-se que no período entre 1982 e 2007, essa participação passou de 8,4% para 18,3% (aumento de 9,9%); ou seja, 80% do ganho dos 5% mais ricos foi concentrado no aumento da participação da renda obtida pelos 1% mais ricos;
  • 0,1% mais ricos, observa-se que no período entre 1982 e 2007, esse grupo mais que triplicou a sua participação na renda;
  • 0,01% mais ricos, observa-se que no período entre 1982 e 2007, esse grupo mais que quadruplicou a sua participação na renda.

Nesse contexto de redução dos salários, medidos horas por valor pago por hora, o padrão de gastos médios das famílias pôde ser mantido por meio do ingresso de mulheres no mercado de trabalho e por um aumento das horas trabalhadas. Desse modos, entre 1979 e 1996, o número total de horas trabalhadas em média por família aumentou em 9% a.a. e a participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou de 41% em 1970 para 57% em 1988.

Entre 1947 e 1968, o Índice de Gini caiu de 0,38 para 0,34, mas depois disso, voltou a subir, alcançando 0,40 em 2007.

A tabela a seguir, apresenta a evolução da participação da evolução das famílias, agrupadas por faixas de renda, na renda nacional. As cinco colunas, à direita da coluna "Ano", informam sobre os estratos que representam 20% das famílias cada uma, a sexta informa, especificamente, sobre as 10% de maior renda.

Endividamento

A partir década de 1980, a renda real de grande parte dos norte-americanos estagnou, associada a um aumento da concentração de renda, e isso, combinado com um contexto de crédito acessível e barato, induziu muitas famílias a se endividarem para manter os seus padrões de consumo.

O contexto de crédito acessível e barato foi viabilizado pela desregulamentação do sistema financeiro, iniciada no final da década de 1960, que se aprofundou nas décadas seguintes.

O financiamento imobiliário não esteve necessariamente relacionado à aquisição de uma moradia para o mutuário, mas para a venda posterior do imóvel, em um cenário no qual a valorização dos imóveis era superior às taxas de juros praticadas.

Além disso, foram feitos novos empréstimos imobiliários para mutuários que, antes já haviam feito o empréstimo para a compra do imóvel objeto da garantia. Esses novos empréstimos tinham como garantia novas avaliações do imóvel e a redução da dívida original, que já havia sido parcialmente paga.

A tabela seguir, consolida dados sobre o aumento do endividamento das famílias entre 1980 e 2006.

Proporção entre dívida (por tipo) das famílias e renda anual

TABELA

Em resumo, cabe observar que a proporção entre a dívida total das famílias e a renda anual disponível, aumentou de 72%, em 1980, para 140% em 2006.

O fácil acesso ao crédito, fez com que o consumo fosse menos impactado, ou até mesmo continuasse a crescer em anos nos quais houve redução do Produto Nacional Bruto, conforme pode-se verificar na tabela abaixo:

TABELA

A sustentabilidade do processo de incremento do endividamento, em um contexto de estagnação de salários reais, pode ser prolongada por meio:

  1. a concessão de crédito para maiores parcelas da população (subprime);
  2. política monetária expansionista, praticada pelo Federal Reserve entre 1995 e 2005, principalmente a a partir de 2002;
  3. inovações financeiras que ocorreram no período, em especial referentes ao crédito imobiliário.

Cabe destacar, que esse incremento do endividamento impulsionou o crescimento da economia norte-americana no período.