A mecanização do trabalho

De Protopia
Ir para: navegação, pesquisa

Com o advento da máquina, o trabalho tornou-se duplamente alienante: à máquina e ao dono da máquina. No período em que vigorava o regime de trocas, o homem devia produzir não apenas aquilo de que necessitavam , mas também as necessidades do outro. Era ao mesmo tempo sujeito e objeto. A máquina substituiu com eficiência o esforço físico humano, mas não dispensa o homem: este sempre é necessário para movimentá-la. O homem se torna, a partir desse momento, em um apêndice da máquina, parte dela, como um parafuso ou uma engrenagem. Nesse sistema mecanizado de produção, o homem não mais produz o que quer. Limita-se a fazer a máquina funcionar. Ignora o destino do seu produto, que não lhe pertence e , quase sempre nem sabe mesmo para que serve. Ele se coisifica, anula-se nesse processo: é uma máquina, ou um apêndice da máquina, uma estranha máquina cujo óleo combustível é constituído de proteínas.Para o dono da máquina, ele não passa disso mesmo mesmo: uma peça da máquina que deve ser lubrificada diariamente. Não, é claro, com os mesmos cuidados, pois uma máquina custa dinheiro enquanto o homem nada custa: se adoece ou morre , é facilmente substituído pelo exercício industrial de reserva. O homem assalariado pelas circunstâncias, não mais se pertence. Como parte da máquina, pertence ao patrão. Sua atividade tornou-se inconsciente e irracional. A "Economia política", disse Marx, oculta a alienação que está na essência do trabalho. Nessa alienação o trabalho perde todo o caráter de necessidade humana, desaparece a consciência de si pela qual o homem projeta e se satisfaz no seu produto. O "amor ao trabalho" transforma-se numa expressão hipócrita e cínica, pois nada significa e não tem outro objetivo senão condicionar o homem, desumanizado, tirando=lhe a capacidade de optar em sua vida, de participar conscientemente no produto de sua atividade.Como pode amar o trabalho que passa mais de 8 horas or dia, apertando o mesmo botão ou o mesmo pedal, ou escrevendo "Prezado Sr." mil vezes por dia.Nessas condições o trabalho torna-se realmente maldição, e essa maldição, esse trabalho maldito, é obra do capital, da propriedade privada.E o capital é constituído precisamente pela força de trabalho integrada no produto.


(...)