A Alternativa: Possibilidades para o Ativismo Revolucionário

De Protopia
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Como a Não Violência protege o Estado
Peter Gelderloos


Apresentei diversos argumentos enérgicos, inclusive ácidos, contra o ativismo não violento, e não os tive diluído. Meu objetivo tem sido enfatizar as críticas que há muito têm sido silenciadas, com a meta de defenestrar o domínio completo que o pacifismo tem sobre o discurso do movimento - um domínio completo exercido como monopólio sobre a moralidade impositiva e as análises estratégicas e táticas em muitos círculos, até o ponto de excluir inclusive o reconhecimento de que existe uma alternativa fatual - os supostos revolucionários devem se dar conta de que o pacifismo é tão contraproducente que a alternativa se faz imperiosa. Somente depois disso, poderemos galgar os diferentes caminhos de luta com honestidade (e, espero, de uma maneira plural e descentralizada também). Longe de tratar de reforçar uma linha de partido ou um único programa revolucionário válido.

Meu argumento não é que todos os pacifistas sejam uns apologistas do Estado e uns traidores sem nenhum mérito que os salve e sem um lugar em um movimento revolucionário. Muitos pacifistas são supostos revolucionários bem intencionados que, simplesmente, têm sido incapazes de deixar para trás seu condicionamento cultural, que lhes programa, instintivamente, para reagir aos ataques do Estado endeusado, como se se tratasse da maior traição e crime. Vários pacifistas têm demonstrado sustentar um compromisso com a revolução, e corrido tais riscos e sacrifícios que estão acima das críticas convencionais que os pacifistas merecem, e isto inclusive apresenta um desafio para o funcionamento do status quo, particularmente, quando sua moral não lhes impede de trabalhar solidariamente com revolucionários não pacifistas[1]. A questão é que o pacifismo como ideologia, quando tem umas pretensões que estão além de uma prática pessoal, serve, incorrigivelmente, aos interesses do Estado e está, irremediavelmente, psicologicamente inserido no esquema de controle do patriarcado e da supremacia branca.

Agora que demonstrei a necessidade de substituir a prática revolucionária não violenta, quero elaborar o que poderíamos colocar em seu lugar, já que várias das formas não pacifistas de luta revolucionária contêm também suas próprias falhas. Nos debates, os pacifistas comumente generalizam algumas das falhas observadas em algumas revoluções históricas, estendendo-as a toda estratégia, esquivando-se de uma análise detalhada e silenciando muitos outros casos. Mas, ao invés de dizer, por exemplo "vê: a violenta revolução russa foi liderada por outro governo violento e autoritário, portanto, a violência é ineficaz"[2], nos ajudaria mais assinalar que o que todos os leninistas queriam era um estado capitalista autoritário pintado de vermelho encabeçado por eles, e que, em seus próprios termos, alcançaram bastante êxito[3]. Também poderíamos mencionar os anarquistas revolucionários do sul da Ucrânia, que rechaçaram de forma contundente o poder e, durante anos, libertaram grandes áreas das mãos dos alemães, dos nacionalistas antissemitas, dos Brancos e dos Vermelhos (mas não impuseram sua vontade sobre aqueles aos quais libertavam, mas sim lhes animavam a se auto-organizarem[4].

Além de deixar de lado as lamentações pacifistas, as análises dramáticas, lhes faria bem sujar suas mãos nos detalhes históricos e analisar os graus de violência, talvez ensinando que, em termos de depravação estrutural e repressão estatal, a Cuba de Castro, produto de uma revolução violenta, é indiscutivelmente menos violenta que a Cuba de Batista. Seja como for, já existem suficientes apologistas de Castro para que eu esteja disposto a gastar minhas energias com este assunto. O elemento comum de todas estas revoluções autoritárias é sua forma hierárquica de organização. O autoritarismo da União Soviética ou da República Popular da China não foi uma prorrogação mística da violência que empregaram, mas uma função direta das hierarquias com as quais estiveram sempre casados. É vago, sem sentido, e, em última instância, falso, dizer que a violência sempre produz certos padrões psicológicos e sociais de relação. A hierarquia, seja como for, é inseparável dos padrões sociais e psicológicos das relações de dominação. De fato, a maior parte da violência na sociedade é, indiscutivelmente, uma das consequências das hierarquias coercitivas.

Em outras palavras, o conceito de hierarquia tem muito da precisão analítica e moral de que o conceito de violência carece. Portanto, para um verdadeiro êxito, toda luta pela libertação deve utilizar qualquer meio necessário que seja consequente com a construção de um mundo livre de hierarquias coercitivas. Este antiautoritarismo se deve refletir tanto na organização, como no sistema de valores do movimento de libertação. Em um nível organizacional, o poder deve ser descentralizado (isto significa não ter partidos políticos ou instituições burocráticas; o poder deve estar localizado nas bases, tanto quanto for possível), em individualidades e em grupos de trabalho dentro da comunidade. Porque as bases e os grupos comunitários têm sido reduzidos pelas condições da vida real e estão em constante contato com a gente de fora do movimento, já que a ideologia tende a fluir de forma ascendente, se concentrando em "comitês nacionais" e outros níveis centralizados de organização (que conduz juntamente com as pessoas que compartilham da mesma opinião um embolo de abstração, aleijando-a do contato com a maioria das demais realidades cotidianas). Algumas coisas têm mais potencial para fomentar o autoritarismo do que uma ideologia poderosa. Portanto, deve permanecer nas bases quanto mais autonomia e poder de decisão quanto for possível. Quando os grupos locais precisarem federar-se ou se coordenar em uma área geográfica mais ampla (e a dificuldade de sua luta demandar coordenação, disciplina, armazenamento de recursos, e estratégias comuns), é necessário que cada organização assegure que os grupos locais não percam sua autonomia e que qualquer nível maior de organização que se vá criar (como comitês regionais ou nacionais de uma federação) seja débil, temporal, realocado frequentemente, facilmente eliminável como estrutura, e sempre dependente da ratificação pelos grupos locais. De outro modo, aqueles que ocupam os níveis mais altos da organização poderiam desenvolver um esquema mental de tipo burocrático, e a organização poderia então desenvolver interesses próprios, separados dos da comunidade, que de pronto vão divergir dos interesses de todo o movimento.

Além disso, nenhuma organização deveria monopolizar o movimento. As organizações não deveriam ser impérios: deveriam ser ferramentas temporárias que se sobrepõem, proliferam e se extinguem quando já não são necessárias. Um movimento será sadio e difícil de cooptar se existir uma diversidade de grupos ocupando diferentes nichos e perseguindo propósitos similares[5]; e estes grupos serão menos propensos a imobilizarem-se se as pessoas do movimento tenderem a pertencer a múltiplos grupos, longe de outorgar sua lealdade a apenas um. A cultura ou o sistema de valores do movimento de libertação também é vital. As estruturas não coercitivas são facilmente subvertidas se a cultura e os desejos das pessoas, operando nas ditas estruturas, os dirigem para outras finalidades. Para os iniciantes, uma cultura de libertação deve favorecer a pluralidade, ao invés do monopólio. Em termos de luta, isto significa que devemos abandonar a ideia de que só existe um caminho correto, ou que deveríamos nos filiar à mesma plataforma ou nos unir à mesma organização. Por outro lado, a luta se beneficiará de uma pluralidade de estratégias de ataque ao Estado a partir de diferentes ângulos. Isto não significa que cada qual deva trabalhar sozinho ou não entender-se com os demais. Necessitamos coordenarmo-nos e unificarmo-nos o máximo possível para aumentar nossa força coletiva, mas também deveríamos reconsiderar quanta uniformidade é possível de fato. É impossível colocar todo mundo de acordo com a premissa de que uma estratégia de luta é a melhor; e, de fato, esta premissa disjuntiva é, provavelmente, errônea. Depois de tudo, as pessoas possuem distintas habilidades e experiências e encaram diferentes aspectos da opressão: neste contexto apenas faz sentido que devam existir diferentes caminhos de luta pelos quais avançar, simultaneamente, até a libertação. Os monoteísmos autoritários inerentes à civilização ocidental nos conduziriam a uma visão destes outros caminhos como rodeios pouco inteligentes, como uma competição; queremos ao menos reprimir estas outras tendências do movimento. O antiautoritarismo requer o abandono de certos esquemas mentais, reconhecer a inevitabilidade das diferenças, e pensar nas pessoas que diferem de nós nos termos de aliados. Depois de tudo, não estamos tratando de impor a todo o mundo uma nova e utópica sociedade que virá depois da revolução; o objetivo é destruir as estruturas de poder centralizadas de modo que cada comunidade tenha a autonomia para se auto-organizar de modo que todos seus membros decidam, coletivamente, se capacitem para conhecer suas necessidades, e também se unam a associações de ajuda-mútua com as comunidades que existem ao seu redor[6]. Todo mundo tem um potencial inato para a liberdade e a auto-organização; para tanto, se nos identificamos como anarquistas, nosso trabalho não consiste em converter a todos os demais ao anarquismo, mas sim usar nossas perspectivas e experiências coletivas para estar de salvaguarda frente aos esforços de cooptação da esquerda institucional e prover modelos para as relações sociais autônomas e para a auto-organização nas culturas, aí onde normalmente não existem.

Também há a questão da liderança em uma luta antiautoritária. A ideia tradicional de liderança, concebida como uma função coercitiva ou institucionalizada simplesmente para ter poder sobre as pessoas, é hierárquica e inibe o crescimento dessas mesmas pessoas. Mas é também verdade que as pessoas não são iguais em termos de habilidades, que esta revolução requer uma quantidade tremenda de perícia e que pode haver pessoas que ocuparão voluntariamente um lugar que demande mais habilidade que os demais, numa posição de liderança não coercitiva e temporal. A implementação de um sistema de valores antiautoritário em oposição à liderança se dá porque o poder deve ser constantemente redistribuído para fora. É responsabilidade das pessoas que se encontram em posições de liderança emprestar seus talentos ao movimento enquanto disseminam sua liderança ao seu redor, ensinando às outras, ao invés de agarrar-se às suas habilidades como uma forma de poder.

Além disso, um sistema de valores antiautoritário favorece que se lute contra a opressão, é oposto à humilhação daqueles que foram vencidos; ele favorece a reconciliação ao invés do castigo.

Com essas estruturas e essa cultura, um movimento de libertação tem, certamente, maiores oportunidades de alcançar o êxito sem criar um novo sistema autoritário. Haverá sempre uma tensão entre sermos efetivos e estarmos libertados, e a complexidade da luta está cheia de nuances, é preciso cultivar uma prática antiautoritária como uma batalha constante entre dois requisitos (eficiência e liberdade) que estão em conflito, mas que não são excludentes. A visão pacifista de luta, baseada numa dicotomia polarizada entre violência e não violência, não é real e também é contraproducente.

Além disso, é difícil ver claramente como um movimento de libertação, usando uma diversidade de táticas, pode direcionar sua luta. Os grupos específicos devem decidir isto por si mesmos, baseando-se nas condições as quais enfrentam, não baseando-se nas prescrições de uma determinada ideologia. Contudo, segundo todas as probabilidades, um movimento de libertação antiautoritário deve enfatizar a construção de uma cultura autônoma que possa resistir ao controle mental dos meios de comunicação e a fundação de centros sociais, escolas livres, clínicas livres, agricultura comunitária e outras estruturas que possam apoiar as comunidades em resistência. As pessoas ocidentalizadas devem desenvolver relações sociais coletivas. Para ditos crescimentos no norte global, ser um anarquista não te salva de ser imbuído de formas individualistas, baseadas no castigo e no privilégio de interação social. Devemos empregar modelos de trabalho de justiça restaurativa ou transformadora, de modo que verdadeiramente não necessitemos nem da polícia nem das prisões. Enquanto formos dependentes do Estado, não o derrotaremos jamais.

Os leitores devem ter percebido que os requisitos iniciais mais importantes do movimento de libertação não incluem ações “violentas”. Espero que agora possamos abandonar a dicotomia entre violência e não violência completamente. O uso da violência não é uma etapa na luta na qual devemos trabalhar e passar por ela para poder vencer. Isolar a violência não ajuda. E mais, devemos estar conscientes de que, provavelmente, precisaremos enfrentar certos tipos de repressão, e há certas táticas que provavelmente teremos que empregar. Em cada etapa da luta devemos cultivar um espírito militante. Nossos centros deveriam honrar os ativistas militantes presos ou aqueles assassinados pelo Estado; nossas escolas livres deveriam ensinar autodefesa e história da luta. Será tarde demais para assumir a militância se esperarmos que o Estado tenha implementado a repressão em um nível no qual seja evidente sua declaração de guerra contra nós. Cultivar a militância deve se dar junto com a preparação e a expansão.

É perigoso manter-se completamente à parte da realidade dominante, precipitando-nos com táticas que ninguém mais pode entender, e muito menos apoiar. As pessoas que atuam prematuramente e isolam a si mesmas do apoio popular colocar-se-ão mais facilmente na mira do governo[7]. Ou seja, não podemos deixar que nossas ações estejam determinadas porque são aceitáveis ou não para o pensamento hegemônico. As opiniões do pensamento hegemônico estão condicionadas pelo Estado. Longe disso, devemos trabalhar para intensificar a militância, para educar através de ações exemplares e para incrementar o nível de militância aceitável (para, ao menos, os segmentos da população que temos identificado como potenciais simpatizantes). Os radicais provenientes de origens privilegiadas são os que têm mais trabalho a fazer nesse sentido, porque essas ditas comunidades são as que têm reações mais conservadoras em respeito às táticas militantes. Os radicais privilegiados parecem ser mais capazes de perguntar, “que pensará a sociedade?” como uma desculpa para sua passividade.

Fazer aumentar a aceitação das táticas militantes não é um trabalho fácil, devemos levar as pessoas, gradualmente, até a aceitação de formas mais militantes de lutas. Se a única escolha que podemos fazer é entre atirar bombas e votar, a maioria de nossos aliados potenciais elegeria votar. E embora o condicionamento cultural deva ser superado antes que as pessoas possam aceitar e praticar as mais perigosas e mortais táticas, essas táticas não podem estar situadas no alto de nenhuma hierarquia. Reverenciar a violência nem sequer melhora a efetividade do movimento, nem tampouco preserva suas qualidades antiautoritárias.

Devido à natureza do Estado, é provável que toda luta pela libertação em qualquer momento possa se converter numa luta armada. Na verdade, um bom número de pessoas está implicada na luta armada para libertar-se agora mesmo: os iraquianos, os palestinos, os Ijaw na Nigéria, algumas etnias indígenas na América do Sul, e os Papua na Nova Guiné, e, em menor grau, grupos antiautoritários na Grécia, Itália e em outras partes. Enquanto escrevo esta frase, ativistas indígenas, anarquistas e sindicalistas, armados somente com tijolos e porretes, estão mantendo barricadas em Oaxaca contra um iminente assalto militar. Muitos já foram assassinados e, como o exército ataca sem cessar, devem decidir se aumentam ou não a militância de suas táticas para melhorar sua capacidade de autodefesa, sob o risco de consequências mais graves. Não direi que a luta armada é uma necessidade ideológica, mas para muitas pessoas, em muitos lugares, se converteu em uma necessidade para derrotar o Estado, ou para simplesmente se defender contra ele. Seria fantástico se a maioria das pessoas não tivesse que passar por um processo de luta armada para se libertar e, dado o grau que cada economia e governo estão se integrando globalmente hoje me dia, um bom número de governos pode facilmente ir ao colapso, se estes governos já estiverem debilitados por ondas disseminadoras de revolta global. Mas algumas pessoas deverão viver a experiência da luta armada, algumas delas devem fazê-la inclusive agora e nossa estratégia para a revolução não pode basear-se na certeza de que outras pessoas morrerão em conflitos sangrentos enquanto nós permanecemos a salvo.

Devemos aceitar, sendo realistas, que a revolução é uma guerra social, não porque gostamos dela, mas porque reconhecemos que o status quo é uma guerra de baixa intensidade e desafiar o Estado tem como resultado uma intensificação dessa guerra. Devemos aceitar também que a revolução precisa do conflito interpessoal, porque certas classes de pessoas estão empenhadas em defender as instituições centralizadoras que devemos destruir. As pessoas que seguem desumanizando a si próprias atuando como agentes da lei e da ordem devem ser derrotadas a qualquer custo, até que já não possam impedir a realização autônoma das necessidades das outras pessoas. Espero que durante este processo possamos construir uma cultura de respeito pelos nossos inimigos (um bom número de culturas não ocidentais tem mostrado que é, de fato, possível respeitar uma pessoa ou um animal que se deve matar), coisa que ajudará a impedir expurgos ou uma nova autoridade quando o presente Estado for derrotado. Por exemplo, pode ser visto como aceitável matar alguém que é igualmente poderoso (isto somente poderia ser visto como algo justificado por um semelhante em circunstâncias de cólera e defesa própria), e pode ser manifestamente visto como imoral e desprezível matar alguém mais fraco (por exemplo, alguém que fora derrotado).

Podemos ter êxito num ativismo revolucionário factível nos esforçando em fins concretos de longo prazo, mas não devemos esquecer as vitórias de curto prazo. Ao mesmo tempo, as pessoas devem sobreviver e nutrir-se. E devemos reconhecer que a luta violenta contra um inimigo extremamente poderoso, na qual a vitória a longo prazo pode parecer impossível, pode levar a pequenas vitórias a curto prazo. Perder combates pode ser melhor que não combater em absoluto; o combater empodera as pessoas e nos ensina que podemos lutar. Referindo-se à derrota na batalha de Blair Moutain durante a Mine War, em 1921, na Virginia Ocidental, o cineasta John Sayles escreve: “a vitória psicológica destes dias violentos pode ter sido mais importante. Quando um povo colonizado aprende que pode contra-atacar unido, a vida nunca voltará a ser tão cômoda para seus exploradores”[8]. Com a valentia e a resistência suficientemente empoderadora, poderemos ir além das pequenas vitórias para conquistar a próxima vitória contra o Estado, o capitalismo, o patriarcado, e a supremacia branca. A revolução é imperativa, e a revolução requer luta. Há muitas formas efetivas de luta e alguns destes métodos podem nos conduzir aos mundos com os quais sonhamos. Para encontrar um dos caminhos corretos devemos observar, assessorar, criticar, comunicarmo-nos e, sobretudo, aprender fazendo.


Referências

  1. Helen Woodson e meu companheiro de acusação e de cárcere Jerry Zawada, pacifistas revolucionários, vem à minha mente seu compromisso.
  2. Ainda que esta citação de fato seja de minha própria autoria, o argumento aqui citado é com frequência encontrado na boca dos ativistas não violentos; Todd Allin Morman começa seu artigo Revolutionary Violence and the Future Anarchist Order afirmando que nenhuma das revoluções violentas na Europa, Rússia, China ou Cuba “deu lugar a uma sociedade justa, uma sociedade livre ou mesmo ao paraíso operário"
  3. Estou avaliando as motivações leninistas pelos objetivos e ações de seus líderes - os membros das organizações autoritárias, a classe e a fila priorizam seguir os líderes acima de suas próprias intenções, boas ou más: os propósitos e as ações destes líderes leninistas. Desde o início, incluíram a melhoria e a expansão da polícia secreta czarista, reconstituída como a Checa; forçando a re-conversão de milhões de camponeses em trabalhadores assalariados; bloqueando a troca direta entre produtores; entabulando relações hierárquicas entre oficiais e soldados no exército, composto principalmente por oficiais que antes eram czaristas ou ex-czaristas; fazendo para si cargos, centralizando, e, em última instância, destruindo a independência operária dos Sovietes, ou conselhos operários; buscando e aceitando empréstimos com vias para o desenvolvimento, do capitalismo inglês e americano; negociando e colaborando com os poderes imperialistas ao final da 1ª Guerra Mundial; reprimindo o ativismo e as publicações de anarquistas e socialistas revolucionários; e outras ações. Para mais informações ver Alexander Berkman, The Bolshevik Myth (London:Freedom Press, 1989), Alexandre Skirda e Nestor Makhno, Anarchy’s Cossack: the struggle for Free Soviets in the Ukraine 1917-1921 (Oakland AK Press, 2004), e Voline, The Unknown Revolution (Montreal: Black Rose, 2004).
  4. Uma boa história deste movimento pode ser encontrada em Alexandre Skirda e Nestor Makhno, Anarchy’s Cossack.
  5. Em seu artigo acerca das estratégias policiais, Anarchist Direct Actions, Randy Borum e Chuck Tilby enfatizam determinados casos em que a descentralização tem deixado os anarquistas isolados e mais vulneráveis à repressão, ainda que em termos gerais, está claro que ela faz com que os grupos radicais sejam mais difíceis de reprimir e torna também mais difícil a infiltração; comunicação, coordenação e solidariedade são os componentes críticos para a sobrevivência das redes descentralizadas. Borum e Tilby, Anarchist Direct Actions, p. 202-223.
  6. Sem autonomia, não pode haver liberdade. Para uma introdução básica a este e outros princípios anarquistas, ver Errico Malatesta, Anarchy (London: Freedom Press, 1920); ou Piotr Kropotkin, Mutual Aid: A Factor in Evolution (Nova York: Alfred A. Knopf, 1921). Um bom artigo que contém reflexões sobre um processo revolucionário anarquista similar ao que tenho expressado é o de Wolf Landstreicher, Autonomous Self-Organization and Anarchist Intervention. Também, o de Roger White, Post Colonial Anarchism, aporta um bom número de argumentos a favor do direito de cada comunidade autônoma e nação para se identificar e eleger seu próprio método de luta.
  7. Por exemplo, o Black Liberation Army, um dos grupos de guerrilha urbana de maior êxito dos Estados Unidos, falhou em grande parte pela falta de estrutura de base em que apoiar-se; segundo Jalil Muntaqin, We Are Our Own Liberators (Montreal: Abraham Guillen Press, 2002), p. 37-38. Por outro lado, o exército insurgente anarquista dirigido por Makhno, na Ucrânia, pôde sustentar uma guerra de guerrilhas efetiva contra o imensamente maior e melhor armado Exército Vermelho durante muito tempo, precisamente, porque possuía grande apoio entre os camponeses, que esconderam e atenderam aos insurgente feridos, lhes abasteceram com comida e suprimentos, e coletaram informações das posições inimigas. Alexandre Skirda e Nestor Makhno, Anarchy’s Cossack, p. 248, p. 254-255.
  8. John Sayles, “Forewood”, em Lon Savage Tunder in the Mountains: The West Virginia Mine War, 1920-21 (Pittsburgh: University of Pittsburgh Press, 1990).


Como a Não Violência protege o Estado
A Não-Violência é ilusória A Alternativa: Possibilidades para o Ativismo Revolucionário