Mudanças entre as edições de "Outra saúde: a experiência Autônoma Zapatista"

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Nas assim chamadas sociedades desenvolvidas, nas últimas décadas observa-se o crescimento do interesse no potencial da '''medicina alternativa''' (como acupuntura, plantas medicinais, reflexologia, cromoterapia, aromoterapia, homeopatia etc.), estando em expansão o número de profissionais e as formas de tratamento disponíveis. Assim, um número crescente de pessoas está incorporando práticas médicas não ortodoxas a suas rotinas de cuidados com a saúde que se contrapõem ao modelo biomédico “oficial”, ou se mesclam com este.
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O modelo biomédico hegemônico é pautado no avanço científico e na racionalidade das sociedades modernas. Ele foca sua atenção prioritariamente na doença e, extremamente especializado, busca curar as partes que apresentam algum tipo de patologia, não se referindo a um todo biológico, em que se ligam mente e corpo.
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Entre as razões para o abandono ou complementação do sistema de saúde tradicional está a relação assimétrica de poder entre médicos e pacientes (buscando abandonar o papel de pacientes passivos); os efeitos colaterais da medicação e das intervenções cirúrgicas; a dependência contínua do uso de medicamentos para tratamentos crônicos; a falta de alívio para alguns sintomas, cada vez mais comuns na contemporaneidade, como o estresse, a ansiedade, a insônia, a depressão. Para Giddens (2005), esta virada é fruto de uma época em que há cada vez mais informações disponíveis, às quais os “consumidores do serviço de saúde” podem recorrer para as escolhas no cuidado com a sua saúde, aprofundando o seu envolvimento no próprio cuidado e tratamento. Isto estaria ligado à expansão do movimento de autoajuda.
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Ainda que esta hipótese seja verdadeira para uma parcela da população, a que tem acesso a serviços de saúde e pode optar, enquanto consumidora, entre o modelo biomédico hegemônico ou pelo modelo alternativo, quais as possibilidades de escolha nas regiões em que o modelo científico jamais se fez presente efetivamente, mas que, entretanto, conta com uma herança ancestral de modelos alternativos de tratamento em saúde, como as populações indígenas?
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== A saúde no sudeste mexicano ==
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Uma das contribuições das Ciências Sociais para a área da saúde foi a de problematizar como as experiências e estruturas sociais e ambientais influenciam os dados relativos à saúde e à doença, havendo uma profunda interconexão na distribuição desigual da doença e da saúde a partir de padrões socioeconômicos diferenciados, ou seja, há uma ligação entre a incidência de doenças e variáveis como classe social, gênero, etc. (CAMPOS, 2006).
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No sudeste mexicano, região indígena com níveis sociais em todos os sentidos inferiores ao restante do país, a saúde acompanhava os trágicos números de outros indicadores, como educação, renda e alimentação. No caso de Chiapas, conforme dados de anos anteriores à insurreição zapatista, de cada 100 crianças, 72 não acabavam o ensino primário; metade da população não possuía água encanada e dois terços não tinham esgoto; 54% da população do estado estavam desnutridas, sendo que na região da selva, mais de 80% padeciam de desnutrição. Enquanto existiam sete quartos de hotel para cada mil turistas, havia apenas 0,3 leito de hospital para cada mil chiapanecos e 0,2 consultório para cada mil habitantes, cinco vezes menos do que a média nacional. Para cada mil pessoas havia 0,5 médico e 0,4 enfermeira e, é claro, boa parte deste contingente não se encontrava na região das Selvas, preponderantemente indígena e, na mesma medida, pobre (MARCOS, 1994, não paginado).
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Um fato ilustra muito bem a situação do sistema de saúde na região indígena, ou melhor, a falta dele, como consta na biografia de Samuel Ruiz, ex-bispo da região de Chiapas. Ele foi ordenado padre sob a influência do anticomunismo, era um sacerdote tradicionalista e conservador, que rezava as missas em latim, numa região, sobretudo de indígenas que mal sabiam o espanhol. Porém, a realidade concreta impactou profundamente seu entendimento de mundo, o que o fez se “converter” para o que ficou conhecido como a Teologia da Libertação. A partir de então, o bispo buscou fundir a cultura cristã com as culturas indígenas, com vistas a que os sofrimentos destes povos não fossem apenas objeto de resignação para outra vida. Um dos fatos cruciais para a conversão pela opção pelos pobres estava relacionado à situação do sistema de saúde na região. Dom Samuel chegou a uma comunidade tomada pela desolação. Todas as crianças haviam morrido de sarampo e diarreia. Os indígenas haviam ido ao lugar mais próximo pedir que um médico ou enfermeira lhes desse algum remédio, ao que lhes responderam que no dia seguinte um médico iria à comunidade. Os indígenas esperaram um dia inteiro na encruzilhada, e como ele não chegou, foram verificar o que havia sucedido. Responderam-lhes que tinha havido um chamado urgente, mas que no dia seguinte, sem falta, alguém iria à comunidade. Outra vez o médico não apareceu. Na terceira vez que os indígenas pediram, lhes informaram que uma enfermeira já estava a caminho. Esta também nunca chegou. Na quarta vez, já não precisavam nem de doutores, nem de enfermeiras, todas as crianças estavam mortas. Isto posto, os indígenas perguntaram a Samuel Ruiz: “o que vamos fazer? É esta a vontade de Deus?”. A partir de então, Samuel aboliu costumes tradicionais, passou a organizar os indígenas e pregar que índios e brancos são iguais, que pecado é a opressão, enfim, a buscar o reino de Deus na terra, pela igualdade entre os homens.
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== Sistema de saúde autônomo ==
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Foi nesta mesma região que em 1994 lançou-se em armas o Exército Zapatista de Libertação Nacional, que tinha como um dos seus pontos centrais de reivindicação o direito e o acesso à saúde. Os zapatistas constituíram governos autônomos nas regiões sob seu comando, as denominadas Juntas de Bom Governo e ali tentam levar adiante outras formas de relações sociais, outras maneiras de governar e governar-se, inclusive no tocante à saúde.
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Dada a inexistência de qualquer tipo de sistema de saúde e o abandono da população por parte do Estado no tocante a este quesito, aliado ao fato dos insurgentes governarem um território em rebeldia, isto é, sem apoio institucional e sob a perseguição aberta ou velada, é, em certa medida, natural que as experiências zapatistas trilhem o caminho de buscas alternativas de modelos de saúde.
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A preocupação de construir um sistema de saúde autônomo nasceu antes do levante armado, como tentativa de diminuir os problemas das comunidades, como a falta de atenção médica, que levou à morte de muitas pessoas por enfermidades curáveis, os parcos recursos econômicos e o preconceito e discriminação que os indígenas costumam sofrer nos hospitais oficiais. A construção da primeira clínica se inicia em 1988, graças à cooperação econômica (contando com uma pequena doação do exterior) e ao trabalho comunitário, e começa a funcionar com oito promotores de saúde, em fevereiro de 1992, na comunidade de Oventik.
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“E estes oito companheiros e companheiras começaram a atender os pacientes, com a pouca experiência que tinham, com poucos materiais e medicamentos: só contavam com uma pequena farmácia e um consultório geral. Depois do nosso levantamento armado […] começaram a chegar visitantes da sociedade civil nacional e internacional, para conhecer quais são as principais demandas do povo que se havia levantado em armas” (CELIA, 2007, p. 24).
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Como nos informa o porta-voz e chefe militar zapatista, com o apoio das “sociedades civis” de vários países, a saúde das comunidades começou a melhorar. “Onde havia morte, começa a haver vida. Onde havia ignorância começa a haver conhecimento. Enfim, onde não havia nada, começa a haver algo bom” (MARCOS, 2004).
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A solidariedade econômica, técnica e de voluntários da sociedade é fundamental para que se consigam medicamentos e equipes médicas, que se construam clínicas e se promovam campanhas, mas a mudança no modo de entender o tratamento da saúde também foi primordial. Assim, em vez de se concentrar nas doenças e enfermidades, o sistema de saúde aplicado nas comunidades se dirige, sobretudo, à medicina preventiva, com o objetivo de reduzir as enfermidades e o consumo de medicamentos industrializados.
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A situação é diversa nas cinco zonas onde se encontram as Juntas de Bom Governo; contudo, em todas se promovem campanhas de higiene, o uso de latrinas e a limpeza das moradias. De igual modo, principiam-se as campanhas para combater enfermidades crônicas, epidemias e para detectar o câncer, de útero e de mama, nas mulheres.
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Ainda que os serviços de saúde não abarquem todas as comunidades, aos poucos os zapatistas vão garantindo que cada município autônomo tenha sua estrutura básica de saúde comunitária, com campanhas de higiene, vacinação, medicina preventiva, promotores de saúde, laboratórios de processamento de plantas medicinais, microclínicas, farmácias, clínicas regionais, médicos e especialistas. Além disso, há veículos para levar os casos mais graves para ser atendidos em outras regiões, evitando a antiga situação de que quando alguém adoecia tinha que ser carregado por dias na busca de uma clínica ou hospital, localizados nas cidades distantes dos pueblos, acarretando, não poucas vezes, a morte do doente.
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“Na saúde se está fazendo o esforço para que seja também gratuita. Em algumas clínicas zapatistas já não se cobra aos companheiros, nem a consulta, nem o medicamento, nem a operação (se esta é necessária e é possível realizar em nossas condições), e no resto se cobra somente o custo da medicação, não a consulta e a atenção médica. Nossas clínicas têm o apoio e a participação direta de especialistas, cirurgiões, doutores e doutoras, enfermeiras e enfermeiros, da sociedade civil nacional e internacional, assim como de alunos e estagiários de medicina e odontologia da UNAM, da UAM, e de outros institutos de estudos superiores. Não cobram nada e, não poucas vezes, colocam de seu bolso […] quero remarcar que tudo isto se dá em condições extremas de pobreza, carência e limitações técnicas e de conhecimentos, ademais que o governo faz todo o possível para bloquear os projetos que provém de outros países” (MARCOS, 2003).
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== Autogestão na saúde ==
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Percebe-se que o desenvolvimento da saúde nos territórios zapatistas obedece a complexas relações entre a autonomia e a independência em relação ao Estado e suas instituições e, ao mesmo tempo, obedece também a relações de dependência no tocante a projetos, financiamento e voluntários da “sociedade civil” nacional e internacional. A consequência é que algumas áreas (como obstetrícia e odontologia) não funcionam em certas regiões por falta de pessoal capacitado, ou certas cirurgias só podem ser feitas de tempos em tempos, por necessitar de grupos de profissionais médicos especializados da “sociedade civil” e dos escassos promotores avançados de saúde dos próprios pueblos.
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O modelo perseguido, antes de obedecer a princípios epistemológicos e ideológicos rígidos, parece corresponder às condições materiais de produção e reprodução da vida nas duras condições já mencionadas. Assim, como afirmou Karina, representante da área de saúde de um dos Caracóis zapatistas, “[…] o mais importante é a capacitação que tiveram sobre o uso das plantas medicinais que há em nossa zona. Isto é o que nos tem ajudado muito a seguir resistindo, e a não depender tanto de medicamentos de farmácia, só em casos muito graves e urgentes” (KARINA, 2007, p. 22). Cabe ressaltar que parte dos saberes tradicionais no cuidado da saúde foi posta no ostracismo pela medicina baseada na racionalidade científica. A mesma racionalidade que após silenciar estes saberes se volta para eles na tentativa de mercantilizá-los. E o que a fala de Karina permite perceber é o quanto estes saberes tradicionais, atualizados, necessitam ser reaprendidos pelas comunidades indígenas.
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Cabe ressaltar que a crítica ao modelo hegemônico de saúde, o biomédico positivista, e o questionamento da ciência como verdade incontestável, atemporal e isenta de valores, por si só não basta para romper com a figura ilusória do arquétipo dominante. Neste caso, nos parece exemplar a trajetória prática da crítica fenomenológica na área da saúde.
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Como relata Minayo (2006), ao criticar o modelo positivista imperante – seja pela sua ineficácia global, pela perda da capacidade da população de adaptar-se ao meio social, pela ideia mítica de que a medicina trará a imortalidade, a juventude eterna e acabará com a dor, o sofrimento e a doença, ou pelo caráter dominador da medicina sobre o corpo, ciclos biológicos e sobre a própria vida social – os fenomenologistas influenciaram uma reforma no sistema de saúde pautada em perspectivas holísticas que compreendiam a saúde e a doença integralmente; em que os indivíduos deviam assumir responsabilidade sobre as questões de sua saúde; através de práticas que promoveriam seu bem-estar integral; o sistema de saúde deveria tratar das causas ambientais, comportamentais e sociais que poderiam provocar as doenças; e o ser humano deveria harmonizar-se com a natureza, com o intuito de também utilizar práticas e meios naturais de tratamento, além de ter uma concepção de saúde e doença mais antropológica, que levasse em conta religiões e crenças de grupos específicos. Na prática estas concepções resultaram no questionamento do papel do Estado e das grandes instituições médicas, no incremento de pequenos grupos privados e voluntários para a promoção da saúde, no reconhecimento de modalidades alternativas de tratamento e, em novas formas de saúde que combinam associações voluntárias, autocuidado, uso de medicina tradicional, participação comunitária e atenção primária.
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Ora, se por um lado esta concepção trouxe significativos avanços graças ao questionamento do modelo centralizador e corporativo da biomedicina, que não atenta para a situação dos indivíduos e dos saberes tradicionais, que entende o corpo humano como uma soma de órgãos separados e autônomos e pauta-se pelo modelo hospitalocêntrico, ao invés de células de relações primárias, por outro lado, essas críticas e modelos alternativos foram assimilados e recuperados pelo Estado e pelo mercado. Ao enfatizar unicamente a autonomia individual, de pequenos grupos e seus sistemas de crenças e saberes em detrimento dos contextos e bases sociais historicamente construídos e das relações de dominação econômica, política e ideológica do capitalismo, as críticas fenomenológicas passaram a ser usadas para reorganizar os sistemas de saúde pela via da desoneração econômica e política do Estado, que passa a adotar alternativas baratas não condizentes com as necessidades sociais, através do autocuidado e da responsabilização individual, atenção primária por não profissionais, revitalização da medicina tradicional e privatização relativa do sistema de saúde como um todo (MINAYO, 2006).
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Não devemos confundir os caminhos traçados pela experiência zapatista, fruto de suas relações e interações com a realidade objetiva, isto é, com as possibilidades concretas disponíveis quando tomaram os meios de produção, com princípios, por vezes abstratos, de outras condições sociais e materiais. Os avanços na produção de um sistema de saúde nas comunidades zapatistas não podem obscurecer seus limites, dependências e ambiguidades, menos ainda servir como modelo generalizável e aplicável a qualquer localidade e situação. A resposta dada em consequência à falta de recursos materiais e sociais dos zapatistas se distancia em muito da simples escolha de “consumidores de saúde por modelos alternativos, influenciados pela expansão da autoajuda” tal qual definido por Giddens, e que costumam mesclar o culto a um passado mítico com uma negação irracionalista da ciência, observando somente as técnicas, em vez das relações e dos modos de produção que as sustentam. Deve-se atentar sempre para o contexto particular e levar em conta o desenvolvimento histórico para compreender a relação recíproca entre os elementos que compõem dada realidade, o que significa neste caso que a crítica à perspectiva do racionalismo científico do modelo biomédico não pode se alicerçar num conservadorismo anti-racionalista.
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A experiência de auto-organização dos indígenas chiapanecos em rebeldia demonstra a potencialidade da construção de outra saúde, pautada na autonomia e nas relações comunitárias, sustentada por outros valores e práticas, que se mesclam e reinventam, como numa espiral em que o moderno e o tradicional se fundem na tentativa de superar o modelo atual que mercantiliza doença e saúde, que fragmenta e separa corpos e sentimentos, que não tem por intuito nem a saúde, nem o bem-estar, mas apenas quantifica o lucro e promove um controle global e higienizador sobre a vida social. Ao decidirem coletivamente as formas de tratamento da saúde, também demonstram a não dependência da comunidade a um corpo tecnocrático externo a ela. Essa organização autônoma dos “de baixo”, dos “excluídos”, de tomarem em suas mãos os aspectos primordiais de suas vidas, como sua própria saúde, demonstra na prática, ainda que por alguns instantes, os desafios e horizontes abertos ao amanhã.
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Ouça o áudio sobre plantas medicinais e o sistema de saúde zapatista, com o promotor Mateo, aqui:
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* [http://politube.org/show/2444 Plantas Medicinais]
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* [http://politube.org/show/2445 Sistema de saúde zapatista]
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== Referências: ==
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* [http://america-profunda.blogspot.com/2009/04/la-buena-salud.html Áudios sobre plantas medicinais e mensagem do promotor zapatista de saúde Mateo]
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* CAMPOS, GWS et. al. (2006). ''Tratado de Saúde Coletiva.'' São Paulo/Rio de Janeiro: Hucitec/FIOCRUZ, 2006.
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* CELIA. (2007). ''Discurso, Mesa de trabajo 2 – La Otra Salud. Intervenciones de las Juntas de Buen Gobierno en el Primer Encuentro de los Pueblos Zapatistas con los Pueblos del Mundo.'' In: Contrahistorias, nº. 8, mar-ago., 2007, México, p. 23-25, 2007.
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* GIDDENS, Anthony. (2005). ''Sociologia do Corpo: Saúde, doença e envelhecimento.'' In: Sociologia, 4ª ed., Porto Alegre, Artmed, 2005.
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* KARINA. (2007). ''Discurso, Mesa de trabajo 2 – La Otra Salud. Intervenciones de las Juntas de Buen Gobierno en el Primer Encuentro de los Pueblos Zapatistas con los Pueblos del Mundo.'' In: Contrahistorias, nº. 8, mar-ago., 2007, México, p. 22-23.
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* MARCOS, Subcomandante Insurgente. (1994). ''Chiapas: El sureste en dos vientos, Una tormenta y una profecía.'' In: Ensayos [http://palabra.ezln.org.mx/. Acessado em: 30/11/09.]
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* _______. (2003). ''Chiapas: La treceava estela – quinta parte: Una historia.'' In:[http://palabra.ezln.org.mx/comunicados/2003/2003_07_e.htm. Acessado em: 30/11/09.]
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* _______. (2004). ''Leer un video – Sexta parte: seis avances.'' In:[http://palabra.ezln.org.mx/comunicados/2004/2004_08_25.htm. Acessado em: 30/11/09]
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* MINAYO, Maria Cecília S. (2006). ''O Desafio do Conhecimento: pesquisa qualitativa em Saúde.'' São Paulo, 9ª edição, Hucitec, 2006.
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:''Retirado  de [http://passapalavra.info/?p=18399 PassaPalavra]
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[[Categoria:Escritos de Alex Hilsenbeck]]
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[[Categoria:Escritos sobre Autogestão]]
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[[Categoria:Escritos Zapatistas]]

Edição atual tal como às 01h58min de 22 de julho de 2018

Alex Hilsenbeck


«”A experiência zapatista demonstra a potencialidade da construção de outra saúde, ao tomarem em suas mãos os aspectos primordiais de suas vidas, superando o modelo atual que mercantiliza a doença e a saúde.”»


«“A saúde autônoma zapatista é uma das principais demandas no nosso plano de luta, porque nossa luta é pela vida digna de todas e todos nós.”»
(Karina, membro da Junta de Bom Governo e representante da área de saúde)


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Nas assim chamadas sociedades desenvolvidas, nas últimas décadas observa-se o crescimento do interesse no potencial da medicina alternativa (como acupuntura, plantas medicinais, reflexologia, cromoterapia, aromoterapia, homeopatia etc.), estando em expansão o número de profissionais e as formas de tratamento disponíveis. Assim, um número crescente de pessoas está incorporando práticas médicas não ortodoxas a suas rotinas de cuidados com a saúde que se contrapõem ao modelo biomédico “oficial”, ou se mesclam com este.

O modelo biomédico hegemônico é pautado no avanço científico e na racionalidade das sociedades modernas. Ele foca sua atenção prioritariamente na doença e, extremamente especializado, busca curar as partes que apresentam algum tipo de patologia, não se referindo a um todo biológico, em que se ligam mente e corpo.

Entre as razões para o abandono ou complementação do sistema de saúde tradicional está a relação assimétrica de poder entre médicos e pacientes (buscando abandonar o papel de pacientes passivos); os efeitos colaterais da medicação e das intervenções cirúrgicas; a dependência contínua do uso de medicamentos para tratamentos crônicos; a falta de alívio para alguns sintomas, cada vez mais comuns na contemporaneidade, como o estresse, a ansiedade, a insônia, a depressão. Para Giddens (2005), esta virada é fruto de uma época em que há cada vez mais informações disponíveis, às quais os “consumidores do serviço de saúde” podem recorrer para as escolhas no cuidado com a sua saúde, aprofundando o seu envolvimento no próprio cuidado e tratamento. Isto estaria ligado à expansão do movimento de autoajuda.

Ainda que esta hipótese seja verdadeira para uma parcela da população, a que tem acesso a serviços de saúde e pode optar, enquanto consumidora, entre o modelo biomédico hegemônico ou pelo modelo alternativo, quais as possibilidades de escolha nas regiões em que o modelo científico jamais se fez presente efetivamente, mas que, entretanto, conta com uma herança ancestral de modelos alternativos de tratamento em saúde, como as populações indígenas?

A saúde no sudeste mexicano

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Uma das contribuições das Ciências Sociais para a área da saúde foi a de problematizar como as experiências e estruturas sociais e ambientais influenciam os dados relativos à saúde e à doença, havendo uma profunda interconexão na distribuição desigual da doença e da saúde a partir de padrões socioeconômicos diferenciados, ou seja, há uma ligação entre a incidência de doenças e variáveis como classe social, gênero, etc. (CAMPOS, 2006).

No sudeste mexicano, região indígena com níveis sociais em todos os sentidos inferiores ao restante do país, a saúde acompanhava os trágicos números de outros indicadores, como educação, renda e alimentação. No caso de Chiapas, conforme dados de anos anteriores à insurreição zapatista, de cada 100 crianças, 72 não acabavam o ensino primário; metade da população não possuía água encanada e dois terços não tinham esgoto; 54% da população do estado estavam desnutridas, sendo que na região da selva, mais de 80% padeciam de desnutrição. Enquanto existiam sete quartos de hotel para cada mil turistas, havia apenas 0,3 leito de hospital para cada mil chiapanecos e 0,2 consultório para cada mil habitantes, cinco vezes menos do que a média nacional. Para cada mil pessoas havia 0,5 médico e 0,4 enfermeira e, é claro, boa parte deste contingente não se encontrava na região das Selvas, preponderantemente indígena e, na mesma medida, pobre (MARCOS, 1994, não paginado).

Um fato ilustra muito bem a situação do sistema de saúde na região indígena, ou melhor, a falta dele, como consta na biografia de Samuel Ruiz, ex-bispo da região de Chiapas. Ele foi ordenado padre sob a influência do anticomunismo, era um sacerdote tradicionalista e conservador, que rezava as missas em latim, numa região, sobretudo de indígenas que mal sabiam o espanhol. Porém, a realidade concreta impactou profundamente seu entendimento de mundo, o que o fez se “converter” para o que ficou conhecido como a Teologia da Libertação. A partir de então, o bispo buscou fundir a cultura cristã com as culturas indígenas, com vistas a que os sofrimentos destes povos não fossem apenas objeto de resignação para outra vida. Um dos fatos cruciais para a conversão pela opção pelos pobres estava relacionado à situação do sistema de saúde na região. Dom Samuel chegou a uma comunidade tomada pela desolação. Todas as crianças haviam morrido de sarampo e diarreia. Os indígenas haviam ido ao lugar mais próximo pedir que um médico ou enfermeira lhes desse algum remédio, ao que lhes responderam que no dia seguinte um médico iria à comunidade. Os indígenas esperaram um dia inteiro na encruzilhada, e como ele não chegou, foram verificar o que havia sucedido. Responderam-lhes que tinha havido um chamado urgente, mas que no dia seguinte, sem falta, alguém iria à comunidade. Outra vez o médico não apareceu. Na terceira vez que os indígenas pediram, lhes informaram que uma enfermeira já estava a caminho. Esta também nunca chegou. Na quarta vez, já não precisavam nem de doutores, nem de enfermeiras, todas as crianças estavam mortas. Isto posto, os indígenas perguntaram a Samuel Ruiz: “o que vamos fazer? É esta a vontade de Deus?”. A partir de então, Samuel aboliu costumes tradicionais, passou a organizar os indígenas e pregar que índios e brancos são iguais, que pecado é a opressão, enfim, a buscar o reino de Deus na terra, pela igualdade entre os homens.

Sistema de saúde autônomo

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Foi nesta mesma região que em 1994 lançou-se em armas o Exército Zapatista de Libertação Nacional, que tinha como um dos seus pontos centrais de reivindicação o direito e o acesso à saúde. Os zapatistas constituíram governos autônomos nas regiões sob seu comando, as denominadas Juntas de Bom Governo e ali tentam levar adiante outras formas de relações sociais, outras maneiras de governar e governar-se, inclusive no tocante à saúde.

Dada a inexistência de qualquer tipo de sistema de saúde e o abandono da população por parte do Estado no tocante a este quesito, aliado ao fato dos insurgentes governarem um território em rebeldia, isto é, sem apoio institucional e sob a perseguição aberta ou velada, é, em certa medida, natural que as experiências zapatistas trilhem o caminho de buscas alternativas de modelos de saúde.

A preocupação de construir um sistema de saúde autônomo nasceu antes do levante armado, como tentativa de diminuir os problemas das comunidades, como a falta de atenção médica, que levou à morte de muitas pessoas por enfermidades curáveis, os parcos recursos econômicos e o preconceito e discriminação que os indígenas costumam sofrer nos hospitais oficiais. A construção da primeira clínica se inicia em 1988, graças à cooperação econômica (contando com uma pequena doação do exterior) e ao trabalho comunitário, e começa a funcionar com oito promotores de saúde, em fevereiro de 1992, na comunidade de Oventik.

“E estes oito companheiros e companheiras começaram a atender os pacientes, com a pouca experiência que tinham, com poucos materiais e medicamentos: só contavam com uma pequena farmácia e um consultório geral. Depois do nosso levantamento armado […] começaram a chegar visitantes da sociedade civil nacional e internacional, para conhecer quais são as principais demandas do povo que se havia levantado em armas” (CELIA, 2007, p. 24).

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Como nos informa o porta-voz e chefe militar zapatista, com o apoio das “sociedades civis” de vários países, a saúde das comunidades começou a melhorar. “Onde havia morte, começa a haver vida. Onde havia ignorância começa a haver conhecimento. Enfim, onde não havia nada, começa a haver algo bom” (MARCOS, 2004).

A solidariedade econômica, técnica e de voluntários da sociedade é fundamental para que se consigam medicamentos e equipes médicas, que se construam clínicas e se promovam campanhas, mas a mudança no modo de entender o tratamento da saúde também foi primordial. Assim, em vez de se concentrar nas doenças e enfermidades, o sistema de saúde aplicado nas comunidades se dirige, sobretudo, à medicina preventiva, com o objetivo de reduzir as enfermidades e o consumo de medicamentos industrializados.

A situação é diversa nas cinco zonas onde se encontram as Juntas de Bom Governo; contudo, em todas se promovem campanhas de higiene, o uso de latrinas e a limpeza das moradias. De igual modo, principiam-se as campanhas para combater enfermidades crônicas, epidemias e para detectar o câncer, de útero e de mama, nas mulheres.

Ainda que os serviços de saúde não abarquem todas as comunidades, aos poucos os zapatistas vão garantindo que cada município autônomo tenha sua estrutura básica de saúde comunitária, com campanhas de higiene, vacinação, medicina preventiva, promotores de saúde, laboratórios de processamento de plantas medicinais, microclínicas, farmácias, clínicas regionais, médicos e especialistas. Além disso, há veículos para levar os casos mais graves para ser atendidos em outras regiões, evitando a antiga situação de que quando alguém adoecia tinha que ser carregado por dias na busca de uma clínica ou hospital, localizados nas cidades distantes dos pueblos, acarretando, não poucas vezes, a morte do doente.

“Na saúde se está fazendo o esforço para que seja também gratuita. Em algumas clínicas zapatistas já não se cobra aos companheiros, nem a consulta, nem o medicamento, nem a operação (se esta é necessária e é possível realizar em nossas condições), e no resto se cobra somente o custo da medicação, não a consulta e a atenção médica. Nossas clínicas têm o apoio e a participação direta de especialistas, cirurgiões, doutores e doutoras, enfermeiras e enfermeiros, da sociedade civil nacional e internacional, assim como de alunos e estagiários de medicina e odontologia da UNAM, da UAM, e de outros institutos de estudos superiores. Não cobram nada e, não poucas vezes, colocam de seu bolso […] quero remarcar que tudo isto se dá em condições extremas de pobreza, carência e limitações técnicas e de conhecimentos, ademais que o governo faz todo o possível para bloquear os projetos que provém de outros países” (MARCOS, 2003).

Autogestão na saúde

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Percebe-se que o desenvolvimento da saúde nos territórios zapatistas obedece a complexas relações entre a autonomia e a independência em relação ao Estado e suas instituições e, ao mesmo tempo, obedece também a relações de dependência no tocante a projetos, financiamento e voluntários da “sociedade civil” nacional e internacional. A consequência é que algumas áreas (como obstetrícia e odontologia) não funcionam em certas regiões por falta de pessoal capacitado, ou certas cirurgias só podem ser feitas de tempos em tempos, por necessitar de grupos de profissionais médicos especializados da “sociedade civil” e dos escassos promotores avançados de saúde dos próprios pueblos.

O modelo perseguido, antes de obedecer a princípios epistemológicos e ideológicos rígidos, parece corresponder às condições materiais de produção e reprodução da vida nas duras condições já mencionadas. Assim, como afirmou Karina, representante da área de saúde de um dos Caracóis zapatistas, “[…] o mais importante é a capacitação que tiveram sobre o uso das plantas medicinais que há em nossa zona. Isto é o que nos tem ajudado muito a seguir resistindo, e a não depender tanto de medicamentos de farmácia, só em casos muito graves e urgentes” (KARINA, 2007, p. 22). Cabe ressaltar que parte dos saberes tradicionais no cuidado da saúde foi posta no ostracismo pela medicina baseada na racionalidade científica. A mesma racionalidade que após silenciar estes saberes se volta para eles na tentativa de mercantilizá-los. E o que a fala de Karina permite perceber é o quanto estes saberes tradicionais, atualizados, necessitam ser reaprendidos pelas comunidades indígenas.

Cabe ressaltar que a crítica ao modelo hegemônico de saúde, o biomédico positivista, e o questionamento da ciência como verdade incontestável, atemporal e isenta de valores, por si só não basta para romper com a figura ilusória do arquétipo dominante. Neste caso, nos parece exemplar a trajetória prática da crítica fenomenológica na área da saúde.

Como relata Minayo (2006), ao criticar o modelo positivista imperante – seja pela sua ineficácia global, pela perda da capacidade da população de adaptar-se ao meio social, pela ideia mítica de que a medicina trará a imortalidade, a juventude eterna e acabará com a dor, o sofrimento e a doença, ou pelo caráter dominador da medicina sobre o corpo, ciclos biológicos e sobre a própria vida social – os fenomenologistas influenciaram uma reforma no sistema de saúde pautada em perspectivas holísticas que compreendiam a saúde e a doença integralmente; em que os indivíduos deviam assumir responsabilidade sobre as questões de sua saúde; através de práticas que promoveriam seu bem-estar integral; o sistema de saúde deveria tratar das causas ambientais, comportamentais e sociais que poderiam provocar as doenças; e o ser humano deveria harmonizar-se com a natureza, com o intuito de também utilizar práticas e meios naturais de tratamento, além de ter uma concepção de saúde e doença mais antropológica, que levasse em conta religiões e crenças de grupos específicos. Na prática estas concepções resultaram no questionamento do papel do Estado e das grandes instituições médicas, no incremento de pequenos grupos privados e voluntários para a promoção da saúde, no reconhecimento de modalidades alternativas de tratamento e, em novas formas de saúde que combinam associações voluntárias, autocuidado, uso de medicina tradicional, participação comunitária e atenção primária.

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Ora, se por um lado esta concepção trouxe significativos avanços graças ao questionamento do modelo centralizador e corporativo da biomedicina, que não atenta para a situação dos indivíduos e dos saberes tradicionais, que entende o corpo humano como uma soma de órgãos separados e autônomos e pauta-se pelo modelo hospitalocêntrico, ao invés de células de relações primárias, por outro lado, essas críticas e modelos alternativos foram assimilados e recuperados pelo Estado e pelo mercado. Ao enfatizar unicamente a autonomia individual, de pequenos grupos e seus sistemas de crenças e saberes em detrimento dos contextos e bases sociais historicamente construídos e das relações de dominação econômica, política e ideológica do capitalismo, as críticas fenomenológicas passaram a ser usadas para reorganizar os sistemas de saúde pela via da desoneração econômica e política do Estado, que passa a adotar alternativas baratas não condizentes com as necessidades sociais, através do autocuidado e da responsabilização individual, atenção primária por não profissionais, revitalização da medicina tradicional e privatização relativa do sistema de saúde como um todo (MINAYO, 2006).

Não devemos confundir os caminhos traçados pela experiência zapatista, fruto de suas relações e interações com a realidade objetiva, isto é, com as possibilidades concretas disponíveis quando tomaram os meios de produção, com princípios, por vezes abstratos, de outras condições sociais e materiais. Os avanços na produção de um sistema de saúde nas comunidades zapatistas não podem obscurecer seus limites, dependências e ambiguidades, menos ainda servir como modelo generalizável e aplicável a qualquer localidade e situação. A resposta dada em consequência à falta de recursos materiais e sociais dos zapatistas se distancia em muito da simples escolha de “consumidores de saúde por modelos alternativos, influenciados pela expansão da autoajuda” tal qual definido por Giddens, e que costumam mesclar o culto a um passado mítico com uma negação irracionalista da ciência, observando somente as técnicas, em vez das relações e dos modos de produção que as sustentam. Deve-se atentar sempre para o contexto particular e levar em conta o desenvolvimento histórico para compreender a relação recíproca entre os elementos que compõem dada realidade, o que significa neste caso que a crítica à perspectiva do racionalismo científico do modelo biomédico não pode se alicerçar num conservadorismo anti-racionalista.

A experiência de auto-organização dos indígenas chiapanecos em rebeldia demonstra a potencialidade da construção de outra saúde, pautada na autonomia e nas relações comunitárias, sustentada por outros valores e práticas, que se mesclam e reinventam, como numa espiral em que o moderno e o tradicional se fundem na tentativa de superar o modelo atual que mercantiliza doença e saúde, que fragmenta e separa corpos e sentimentos, que não tem por intuito nem a saúde, nem o bem-estar, mas apenas quantifica o lucro e promove um controle global e higienizador sobre a vida social. Ao decidirem coletivamente as formas de tratamento da saúde, também demonstram a não dependência da comunidade a um corpo tecnocrático externo a ela. Essa organização autônoma dos “de baixo”, dos “excluídos”, de tomarem em suas mãos os aspectos primordiais de suas vidas, como sua própria saúde, demonstra na prática, ainda que por alguns instantes, os desafios e horizontes abertos ao amanhã.

Ouça o áudio sobre plantas medicinais e o sistema de saúde zapatista, com o promotor Mateo, aqui:

Referências:

  • Áudios sobre plantas medicinais e mensagem do promotor zapatista de saúde Mateo
  • CAMPOS, GWS et. al. (2006). Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo/Rio de Janeiro: Hucitec/FIOCRUZ, 2006.
  • CELIA. (2007). Discurso, Mesa de trabajo 2 – La Otra Salud. Intervenciones de las Juntas de Buen Gobierno en el Primer Encuentro de los Pueblos Zapatistas con los Pueblos del Mundo. In: Contrahistorias, nº. 8, mar-ago., 2007, México, p. 23-25, 2007.
  • GIDDENS, Anthony. (2005). Sociologia do Corpo: Saúde, doença e envelhecimento. In: Sociologia, 4ª ed., Porto Alegre, Artmed, 2005.
  • KARINA. (2007). Discurso, Mesa de trabajo 2 – La Otra Salud. Intervenciones de las Juntas de Buen Gobierno en el Primer Encuentro de los Pueblos Zapatistas con los Pueblos del Mundo. In: Contrahistorias, nº. 8, mar-ago., 2007, México, p. 22-23.
  • MARCOS, Subcomandante Insurgente. (1994). Chiapas: El sureste en dos vientos, Una tormenta y una profecía. In: Ensayos Acessado em: 30/11/09.
  • _______. (2003). Chiapas: La treceava estela – quinta parte: Una historia. In:Acessado em: 30/11/09.
  • _______. (2004). Leer un video – Sexta parte: seis avances. In:Acessado em: 30/11/09
  • MINAYO, Maria Cecília S. (2006). O Desafio do Conhecimento: pesquisa qualitativa em Saúde. São Paulo, 9ª edição, Hucitec, 2006.




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